21.2.18
e flui menos depressa,
parece arrastar meus minutos em sua espessa gama vagarosa.
Não há profundidade alcançada
nem tampouco gera firmeza
que permita o suporte dos pés.
Então este rio é visual, virtual,
cheio de futuros,
de maravilhosas mudanças advindas da espera.
Que diante dos olhos presentes, desfila
com sua suntuosa e pavorosa grandiosidade
Mas os olhos que assistem são acompanhados dum corpo que os carregam
Estes olhos miram tudo ao redor
e apesar do colossal rio que ganhara espaço nos últimos tempos,
avista outras oportunidades de banho, de refúgio, de contemplação, de vida.
A identidade mora no desejo
e desejo estancado
é vida ávida que avisa.
O corpo necessita banhar-se.
Qual o rio que o convida?
7.1.18
Rio que muda
Esvaem-se,
escorrem feito água corrente
A frente empoçam-se belas incertezas que convidam a submergir
Afundo e, sem abrir os olhos,
ressalto qualquer tipo de sensibilidade
No fundo é que me encontro
No raso não cabem minhas largas braçadas
Tenho mais fôlego do que o raso pode suportar
Quanto mais me aprofundo em mim
menos enxergo e mais sinto.
Esbarro num novo eu
Mas o fundo aperta o peito, incomoda,
faz força pra subir
como se o corpo pedisse para novamente
respirar o mais-do-mesmo,
repetir um exato enredo,
repelir o desconhecido que atrai.
Expando meus pulmões para caber mais vida
Quero-me mesmo é incompleto,
para fazer dos vazios profundidade,
E saber que pouca dosagem é bobagem
Quando se quer ser
ao invés de estar.
4.12.17
Abrir Parênteses
E partimos pra onde?
Sem alvo a gente se projeta.
Sem alvo a gente se protege.
Cuidando do instante
Cultuando o durante
Costurando os desejos, nossos remendos.
Sem destino para não enxergar onde daremos.
Este nosso elã, dosado
para evitar perdições,
mas feito tecido que envolve,
move, absorve, absolve;
Transmuta tolices:
faz um boteco da igrejinha,
da espera-na-fila um grande circo,
do tatame um espaço pra risos.
Altera o meu domínio
Enquanto os corpos interagem
no improviso, espécie de descoberta
de um outro tipo de comunicação.
E como falam bem os nossos corpos.
Tateiam o inevitável impulso,
aprendendo este novo idioma. Conversa sinestésica.
Som traduzido em Gosto traduzido em Cheiro
Transa de ideias.
Trama não encerrada no gozo.
Espécie de paixão que é privilégio pra memória
Que tinge o depois
sem tanger o futuro.
Que se perpetua no presente.
Que me acompanha nos melhores pensamentos.
Que gosta de estar.
Que fica e finca.
27.10.17
Passam. Passion. Paixão.
Crime mútuo entre os envolvidos
Paixão. Passion. Passam.
Então há culpa no sentir?
ou há culpa em querer sentir?
Vejo o desejo botar a ética pra dormir
para provar da solitude; da plenitude.
Nesses jogos conjugais
já assumi todos os papéis
E após tantas temporadas em cartaz,
revezando-me entre todos eles,
escolho o quem mais gosto-de-não-ser, para também
ser um pouco do meu oposto.
pois o hoje de ser eu,
as 3h da tarde no universo,
já não me cabe como sempre.
Crias um roteiro, um rodeio? Enaltece orgulhos,
garimpa belezas e lapida nas descrições.
Vence sempre pela carência.
De ambos
14.8.17
Do árabe: Miskin
sou o ato falho
e exibo o talo
do meus pensamentos.
Ante o trago, eu travo
e grato,
não tardo se eu não trago.
Se há troça na troca,
escapa o teu trato no tato.
Certezas me cerceiam
tanto quanto
dizeres me desnudam.
11.8.17
Gosto
percorrendo seu sabor por toda a boca.
Deixando que a tome o expansivo amargo
que possui todas as recentes e boas bebidas.
Aquelas que modificam a textura do palato.
Provo das menores picâncias.
Como para não sanar. Apeteço com o infinito
sem abrir mão das volumosas guarnições temporais.
É como provar da bebida cara, rara,
que após tantos anos guardada, provoca
o estupor que sempre lhe coubera.
Desengarrafo-me.
Tim-Tim!
11.6.17
Ator do Ato
14.5.17
Desejo
19.2.17
Cortéja
e isto nos difere. Não deveria ferir
Edifiquei-me mirando sempre o que eu ainda não era
Sou eterna continuidade díspar de mim
Acolho as discordâncias para crescer
Transformar é criar, é romper com os moldes
É arte
E refletir com erros é permitir que outros sejam diferentes
É necessário que alguém pense diferente de mim
30.1.17
Retinta
10.1.17
Barra
Dias em fornalhas, fermentando fornalhas
ou cede ou foge.
Enquanto o vento quente rasga abrindo sulcos, forçando
o morno a ferver
o sério a embriagar,
o clérigo a endiabrar
e o esquivo a acontecer.
Não há meio-termo com tanto calor.
A flor da pele escorre o mel.
Os olhos belos escondem tantos futuros.
Tomar o breu do céu
como quem aprecia seu ébrio teor no fundo da boca, sem pressa.
Ondas que colidem, que harmonizam.
Perpetuam intensidades. Guardado
onde a memória não é precisa, pois não é preciso.
Peito carregado de escárnios, escarro!
Respiração fraudulenta,
exausta por tentar afrouxar tantos ideias.
onde, por tamanha simplicidade, não sobem bandeiras.
Certeira e desconexa realidade.
Apreciando o absurdo, o inexato,deparei-me com a origem.
Cais de difícil acesso, de retorno arredio
mas de natureza estonteante,
ameaçadoramente imensa
e involuntariamente convidativa.
Fuga
não fazem do ereto projeções.
O rijo tem prazo, tem instantes para acontecer.
Cabem muito mais loucuras num olhar quase desvendado?
Fui traído pela minha liberdade.
5.10.16
Inédito
21.9.16
És passos
Olhos desatentos que não miram.
Onde estaria aquela mente?Advogando a existência.
Faixas de pedestres, luzes, pessoas, desvios, barulhos.
Nada a interrompe.
A cabeça está no antes,
no interveio, no posto-póstumo.
Está onde não se conserta,
onde só se observa.
Fazendo juízo das palavras ditas em grandes quantidades,
dos excessos de existência,
das intensidades que derramaram em público,
que invadiram com voz o que poderia ser silêncio.
Estamos destinados a caber e vazar?
Possuímos uma fatal liberdade para invadir o espaço de existência d'outro ser.
A mente fluindo no topo de um corpo,
guiando sem esmero a massa que atrapalha os transeuntes.
Caminham no sentido do abandono. Da exclusão.
Problematizações cansam.
É preciso ser oco alguns dias da semana.
O convívio pede padrão.
Transbordo.
Atravesso.
13.7.16
Exposição
feita de traços grosseiros.
Não sei se são obras de Van Gogh,
pintadas à mão pesada com pinceladas grotescas
ou se quadros de Monet
que é preciso espremer os olhos ou afastar-se
para vê-las
Vida vazia vadia valia varia
os olhos secos pedem arte
querem poesia nos estômagos
querem colorir ao existir
Aahh... essas paixões mal inventadas...
Que encaixam devaneios e necessidades
feito peças de Lego
Dentre tantos traços grossos
que nos saltam às vistas,
Dentre quadros valorizados pela moldura,
Abro-me para as paixões.
Mas se eu também estiver condenado
aos mesmos pincéis ásperos
Que ao menos sejam
paixões surrealistas
27.6.16
Minha cabeça pendurada em um cabide
não é o que vivi, tampouco o que li
não é excesso, nem abandono do mundo.
Por muito tempo: Convivências;
por pouco solidão.
Por muito peco: Conivência;
E nenhum erro é coincidência quando reação à oposição.
Oposto ao ego é angústia
Espécie de voz que sussurra, que sutura,
que aflige pelo timbre,
que atinge em meio íngreme.
Que nos avisa sobre o outro. Outros. Outras propostas,
outros caminhos de sucesso. Suscetíveis.
Que me afronta,
que me informa que o ser
não deveria ser.
Que me atenta às novas modalidades de felicidade.
Eis que a minha felicidade,
de tão frágil,
desaparece de súbito
para que eu possa ver além do mundo,
estar contido nele
E me escapa(!) mesmo com uma linda tarde,
com árvores, crianças, crepúsculo, amores
e enebriante sensação de paz.
Sensação de que o ideal não me completa.
Num bizarro avesso,
o ideal, diante de mim, contempla:
o inacreditável ser que precisa de mais,
que precisa de tanto
para tornar-se simples.
7.6.16
Cidade por fora e por dentro
A cidade, age, desinibida,
A cidade não gangrena,
para dividir, segregar
para sempre faltar e ter onde pedir.
e depois lhe dá muletas.
de existência,
de contextos, de casas-maderite,
de justiça-divina-tardia,
de felicidade e descanso permitido com limite de 48h.
as devastadas paisagens substituídas
desatenta a mais um observador,
faz-se de desentendida
e abriga no mesmo teto aberto
oprimido e opressor.
7.3.16
Abrigo de desconstruções
9.11.15
Apresento-me
Apresento-me não pronto.
É assim que estou, que destôo.
Inacabado, assim... ainda por fazer.
Mas se você disser:agora eu quero,
Se você disser
e eu não entender.. Então eu escuto.
Venho dar às caras
o rurbor que tanto nos falta,
que se amedronta dentro de nós,
que não adoece,
que se desfaz e faz,
que sem disfarce, cede.
Parte.
E vai sem parte minha. Larga-a
na melhor das questões existenciais,
como tem que ser.
O amor é a mais carnal das ilusões.
Um universo de Pessoas, tantas,
mas tantas para investigar.
E durante a melada investigação
percebe-se uma distância nova
Algo sobre nós.
Algo, ego, intrínseco.
Percebe-se que o ser investigado,
o tempo inteiro, era o ego, o Eu.
Sabendo-se vendo-se no outro
No teu seio
a carícia de uma companhia
No teu peito
voa a liberdade
8.7.15
Sobre palavras ósseas bem vestidas
distraído
da razão.
causado pela sinceridade.
de quanto pretendem durar?
no som proferido pelas folhas,
sem interesse.
para o não isolamento,
para ser incluso, para se sentir encaixado.
cor de sangue gangrenado
é espesso
não escorre e nem tão pouco esguicha,
não se livra.
destacados dentre a manada.
é o que nos conforta
para seguir com a repetição dos dias.
Torpe, turva,
que já nos absolve.
23.6.15
Estou bem, e você?
assumir que estar bem é consentir com o mundo?
com essas as pessoas que nos cercam,
Uma ordem em constante mudança
Imagine mesmo!!
Há uma força sugestiva. Pesada, que resiste à vontade de viver.
E de uma maneira que só se lembram das dores ocasionalmente.