14.5.17
Desejo
19.2.17
Cortéja
e isto nos difere. Não deveria ferir
Edifiquei-me mirando sempre o que eu ainda não era
Sou eterna continuidade díspar de mim
Acolho as discordâncias para crescer
Transformar é criar, é romper com os moldes
É arte
E refletir com erros é permitir que outros sejam diferentes
É necessário que alguém pense diferente de mim
30.1.17
Retinta
10.1.17
Barra
Dias em fornalhas, fermentando fornalhas
ou cede ou foge.
Enquanto o vento quente rasga abrindo sulcos, forçando
o morno a ferver
o sério a embriagar,
o clérigo a endiabrar
e o esquivo a acontecer.
Não há meio-termo com tanto calor.
A flor da pele escorre o mel.
Os olhos belos escondem tantos futuros.
Tomar o breu do céu
como quem aprecia seu ébrio teor no fundo da boca, sem pressa.
Ondas que colidem, que harmonizam.
Perpetuam intensidades. Guardado
onde a memória não é precisa, pois não é preciso.
Peito carregado de escárnios, escarro!
Respiração fraudulenta,
exausta por tentar afrouxar tantos ideias.
onde, por tamanha simplicidade, não sobem bandeiras.
Certeira e desconexa realidade.
Apreciando o absurdo, o inexato,deparei-me com a origem.
Cais de difícil acesso, de retorno arredio
mas de natureza estonteante,
ameaçadoramente imensa
e involuntariamente convidativa.
Fuga
não fazem do ereto projeções.
O rijo tem prazo, tem instantes para acontecer.
Cabem muito mais loucuras num olhar quase desvendado?
Fui traído pela minha liberdade.
5.10.16
Inédito
21.9.16
És passos
Olhos desatentos que não miram.
Onde estaria aquela mente?Advogando a existência.
Faixas de pedestres, luzes, pessoas, desvios, barulhos.
Nada a interrompe.
A cabeça está no antes,
no interveio, no posto-póstumo.
Está onde não se conserta,
onde só se observa.
Fazendo juízo das palavras ditas em grandes quantidades,
dos excessos de existência,
das intensidades que derramaram em público,
que invadiram com voz o que poderia ser silêncio.
Estamos destinados a caber e vazar?
Possuímos uma fatal liberdade para invadir o espaço de existência d'outro ser.
A mente fluindo no topo de um corpo,
guiando sem esmero a massa que atrapalha os transeuntes.
Caminham no sentido do abandono. Da exclusão.
Problematizações cansam.
É preciso ser oco alguns dias da semana.
O convívio pede padrão.
Transbordo.
Atravesso.
13.7.16
Exposição
feita de traços grosseiros.
Não sei se são obras de Van Gogh,
pintadas à mão pesada com pinceladas grotescas
ou se quadros de Monet
que é preciso espremer os olhos ou afastar-se
para vê-las
Vida vazia vadia valia varia
os olhos secos pedem arte
querem poesia nos estômagos
querem colorir ao existir
Aahh... essas paixões mal inventadas...
Que encaixam devaneios e necessidades
feito peças de Lego
Dentre tantos traços grossos
que nos saltam às vistas,
Dentre quadros valorizados pela moldura,
Abro-me para as paixões.
Mas se eu também estiver condenado
aos mesmos pincéis ásperos
Que ao menos sejam
paixões surrealistas
27.6.16
Minha cabeça pendurada em um cabide
não é o que vivi, tampouco o que li
não é excesso, nem abandono do mundo.
Por muito tempo: Convivências;
por pouco solidão.
Por muito peco: Conivência;
E nenhum erro é coincidência quando reação à oposição.
Oposto ao ego é angústia
Espécie de voz que sussurra, que sutura,
que aflige pelo timbre,
que atinge em meio íngreme.
Que nos avisa sobre o outro. Outros. Outras propostas,
outros caminhos de sucesso. Suscetíveis.
Que me afronta,
que me informa que o ser
não deveria ser.
Que me atenta às novas modalidades de felicidade.
Eis que a minha felicidade,
de tão frágil,
desaparece de súbito
para que eu possa ver além do mundo,
estar contido nele
E me escapa(!) mesmo com uma linda tarde,
com árvores, crianças, crepúsculo, amores
e enebriante sensação de paz.
Sensação de que o ideal não me completa.
Num bizarro avesso,
o ideal, diante de mim, contempla:
o inacreditável ser que precisa de mais,
que precisa de tanto
para tornar-se simples.
7.6.16
Cidade por fora e por dentro
A cidade, age, desinibida,
A cidade não gangrena,
para dividir, segregar
para sempre faltar e ter onde pedir.
e depois lhe dá muletas.
de existência,
de contextos, de casas-maderite,
de justiça-divina-tardia,
de felicidade e descanso permitido com limite de 48h.
as devastadas paisagens substituídas
desatenta a mais um observador,
faz-se de desentendida
e abriga no mesmo teto aberto
oprimido e opressor.
7.3.16
Abrigo de desconstruções
9.11.15
Apresento-me
Apresento-me não pronto.
É assim que estou, que destôo.
Inacabado, assim... ainda por fazer.
Mas se você disser:agora eu quero,
Se você disser
e eu não entender.. Então eu escuto.
Venho dar às caras
o rurbor que tanto nos falta,
que se amedronta dentro de nós,
que não adoece,
que se desfaz e faz,
que sem disfarce, cede.
Parte.
E vai sem parte minha. Larga-a
na melhor das questões existenciais,
como tem que ser.
O amor é a mais carnal das ilusões.
Um universo de Pessoas, tantas,
mas tantas para investigar.
E durante a melada investigação
percebe-se uma distância nova
Algo sobre nós.
Algo, ego, intrínseco.
Percebe-se que o ser investigado,
o tempo inteiro, era o ego, o Eu.
Sabendo-se vendo-se no outro
No teu seio
a carícia de uma companhia
No teu peito
voa a liberdade
8.7.15
Sobre palavras ósseas bem vestidas
distraído
da razão.
causado pela sinceridade.
de quanto pretendem durar?
no som proferido pelas folhas,
sem interesse.
para o não isolamento,
para ser incluso, para se sentir encaixado.
cor de sangue gangrenado
é espesso
não escorre e nem tão pouco esguicha,
não se livra.
destacados dentre a manada.
é o que nos conforta
para seguir com a repetição dos dias.
Torpe, turva,
que já nos absolve.
23.6.15
Estou bem, e você?
assumir que estar bem é consentir com o mundo?
com essas as pessoas que nos cercam,
Uma ordem em constante mudança
Imagine mesmo!!
Há uma força sugestiva. Pesada, que resiste à vontade de viver.
E de uma maneira que só se lembram das dores ocasionalmente.
13.2.15
2.2.15
Sobre
15.1.15
Canto do Ator
Não me contenho
Quando numa cena cabem mais cenas
não desvio nem deviro
A outra, que me chama, não terá chama, pois permaneço
por necessidade de expandir
buscando entender
onde se inicia o esgotamento
e onde se finda aquele infinito
Não sobrecarregue a palavra ator de interpretações que já conhece
Não se atreva a sequer carregá-la consigo
Deixa-a onde está
Não há jogo de simulação.
É menos que isso
É viver reinventando
23.12.14
Resposta
Drogados, todos somos.
Violentos pregadores da paz.
que nos questiona como Ser.
Para satisfazer essa vontade humana
Encha a boca com fumaça,
recomendo a verde ao invés da cinza,
encha com silêncio, com vida própria, com arte, com mais suspeitas que certezas.
E não abafe o som que estreita seus ouvidos.
Apesar da dificuldade, você perceberá simplicidades.
O mundo está mais para os errantes.
8.12.14
Tapete
O contrabaixo andante ditava o ritmo.
Minhas idéias eram palavras soltas
fazendo sons no pensamento.
Meus conflitos dançavam.
Toda ideia era calma.
Rasga! O Sopro do mestre. Deus?
Deu-se num Sax.
Rompendo no peito feito flecha com farpas.
Despregando as amarras. Evadindo o próprio corpo.
Olhar o nada e largar-me ocorreu numa ação dessabida. Aquele grave com som de madeira que abraçava a cintura, levava-me.
Aquela corrida de notas sopradas sem freio, sem pouso, lembrava-me tanto a vida.
Mas qual? Coltrane é de 60.
Estou novamente atrasado.
Mas o tempo necessário foi tomado, até o último gole.
Houve atraso, não desperdício do tempo.
Mas como explicar pra quem é regrado?
Pés descalços,
cigarro na mão esquerda repousada sobre o cinzeiro de plástico.
Costas no tapete, olhos para o teto.
Fumaça densa subindo em ésses.
Desejo de mato, de advinhar a chuva pelo cheiro, da noite extremamente longa, desejo do silêncio com cigarras,
desejo de um trago longo.
Ficou sem cigarros. Correu à padaria em frente para comprá-los. Lá,
distraiu-se rapidamente com uma televisão ligada, sorriu para a caixa e saiu. Esqueceu-se do que pensava, de concluir. Trocou de pensamento na volta pra casa. Desviou o dia.
4.12.14
Bate o pé na estrada
estrada bate
Arvoçoa fragmentos
de terra
misturados com lamentos
que enterra
Poeira à beira
enquanto bate
estrada parte
no pé
Tão pouco se dá conta
que é na ponta
que o deleite se encontra
Bate o pé na estrada
rumando o horizonte fugitivo
que é caminho, é onde se está
é o que passa, mas nunca laça
o destino ser esquivo
Estrada bate
Nada abatido
Pé no embate
A estrada bate
enquanto passa
e ainda há muito o que passar
No calcanhar sofrido
terra batida, apanhada
contando uma história, trajetória
qual curva eu não entrei,
onde corri onde parei
terra que acolhe o passo sem amortecer
estrada que recolhe o vasto para caber
já sofri já fiz sofrer
bate o pé estrada
Estrada bate
há sempre um empate em perder
24.8.14
Mundo palco mundo
11.8.14
Um Quarto
Está muito colorida de uma só cor.
Quadros e retratos não! Já não bastam...
Há uma séria carência nelas, percebe?
Não sei, mas essa ideia me parece um tanto óbvia.
Mas falta algo, concordo... Sabe o quê, exatamente?
Isso pode trazer um novo aspecto. Uma euforia diferente, ainda não experimentada.
Não era um quarto; Não era meio.
Muito menos inteiro.