5.10.16
Inédito
21.9.16
És passos
Olhos desatentos que não miram.
Onde estaria aquela mente?Advogando a existência.
Faixas de pedestres, luzes, pessoas, desvios, barulhos.
Nada a interrompe.
A cabeça está no antes,
no interveio, no posto-póstumo.
Está onde não se conserta,
onde só se observa.
Fazendo juízo das palavras ditas em grandes quantidades,
dos excessos de existência,
das intensidades que derramaram em público,
que invadiram com voz o que poderia ser silêncio.
Estamos destinados a caber e vazar?
Possuímos uma fatal liberdade para invadir o espaço de existência d'outro ser.
A mente fluindo no topo de um corpo,
guiando sem esmero a massa que atrapalha os transeuntes.
Caminham no sentido do abandono. Da exclusão.
Problematizações cansam.
É preciso ser oco alguns dias da semana.
O convívio pede padrão.
Transbordo.
Atravesso.
13.7.16
Exposição
feita de traços grosseiros.
Não sei se são obras de Van Gogh,
pintadas à mão pesada com pinceladas grotescas
ou se quadros de Monet
que é preciso espremer os olhos ou afastar-se
para vê-las
Vida vazia vadia valia varia
os olhos secos pedem arte
querem poesia nos estômagos
querem colorir ao existir
Aahh... essas paixões mal inventadas...
Que encaixam devaneios e necessidades
feito peças de Lego
Dentre tantos traços grossos
que nos saltam às vistas,
Dentre quadros valorizados pela moldura,
Abro-me para as paixões.
Mas se eu também estiver condenado
aos mesmos pincéis ásperos
Que ao menos sejam
paixões surrealistas
27.6.16
Minha cabeça pendurada em um cabide
não é o que vivi, tampouco o que li
não é excesso, nem abandono do mundo.
Por muito tempo: Convivências;
por pouco solidão.
Por muito peco: Conivência;
E nenhum erro é coincidência quando reação à oposição.
Oposto ao ego é angústia
Espécie de voz que sussurra, que sutura,
que aflige pelo timbre,
que atinge em meio íngreme.
Que nos avisa sobre o outro. Outros. Outras propostas,
outros caminhos de sucesso. Suscetíveis.
Que me afronta,
que me informa que o ser
não deveria ser.
Que me atenta às novas modalidades de felicidade.
Eis que a minha felicidade,
de tão frágil,
desaparece de súbito
para que eu possa ver além do mundo,
estar contido nele
E me escapa(!) mesmo com uma linda tarde,
com árvores, crianças, crepúsculo, amores
e enebriante sensação de paz.
Sensação de que o ideal não me completa.
Num bizarro avesso,
o ideal, diante de mim, contempla:
o inacreditável ser que precisa de mais,
que precisa de tanto
para tornar-se simples.
7.6.16
Cidade por fora e por dentro
A cidade, age, desinibida,
A cidade não gangrena,
para dividir, segregar
para sempre faltar e ter onde pedir.
e depois lhe dá muletas.
de existência,
de contextos, de casas-maderite,
de justiça-divina-tardia,
de felicidade e descanso permitido com limite de 48h.
as devastadas paisagens substituídas
desatenta a mais um observador,
faz-se de desentendida
e abriga no mesmo teto aberto
oprimido e opressor.
7.3.16
Abrigo de desconstruções
9.11.15
Apresento-me
Apresento-me não pronto.
É assim que estou, que destôo.
Inacabado, assim... ainda por fazer.
Mas se você disser:agora eu quero,
Se você disser
e eu não entender.. Então eu escuto.
Venho dar às caras
o rurbor que tanto nos falta,
que se amedronta dentro de nós,
que não adoece,
que se desfaz e faz,
que sem disfarce, cede.
Parte.
E vai sem parte minha. Larga-a
na melhor das questões existenciais,
como tem que ser.
O amor é a mais carnal das ilusões.
Um universo de Pessoas, tantas,
mas tantas para investigar.
E durante a melada investigação
percebe-se uma distância nova
Algo sobre nós.
Algo, ego, intrínseco.
Percebe-se que o ser investigado,
o tempo inteiro, era o ego, o Eu.
Sabendo-se vendo-se no outro
No teu seio
a carícia de uma companhia
No teu peito
voa a liberdade
8.7.15
Sobre palavras ósseas bem vestidas
distraído
da razão.
causado pela sinceridade.
de quanto pretendem durar?
no som proferido pelas folhas,
sem interesse.
para o não isolamento,
para ser incluso, para se sentir encaixado.
cor de sangue gangrenado
é espesso
não escorre e nem tão pouco esguicha,
não se livra.
destacados dentre a manada.
é o que nos conforta
para seguir com a repetição dos dias.
Torpe, turva,
que já nos absolve.
23.6.15
Estou bem, e você?
assumir que estar bem é consentir com o mundo?
com essas as pessoas que nos cercam,
Uma ordem em constante mudança
Imagine mesmo!!
Há uma força sugestiva. Pesada, que resiste à vontade de viver.
E de uma maneira que só se lembram das dores ocasionalmente.
13.2.15
2.2.15
Sobre
15.1.15
Canto do Ator
Não me contenho
Quando numa cena cabem mais cenas
não desvio nem deviro
A outra, que me chama, não terá chama, pois permaneço
por necessidade de expandir
buscando entender
onde se inicia o esgotamento
e onde se finda aquele infinito
Não sobrecarregue a palavra ator de interpretações que já conhece
Não se atreva a sequer carregá-la consigo
Deixa-a onde está
Não há jogo de simulação.
É menos que isso
É viver reinventando
23.12.14
Resposta
Drogados, todos somos.
Violentos pregadores da paz.
que nos questiona como Ser.
Para satisfazer essa vontade humana
Encha a boca com fumaça,
recomendo a verde ao invés da cinza,
encha com silêncio, com vida própria, com arte, com mais suspeitas que certezas.
E não abafe o som que estreita seus ouvidos.
Apesar da dificuldade, você perceberá simplicidades.
O mundo está mais para os errantes.
8.12.14
Tapete
O contrabaixo andante ditava o ritmo.
Minhas idéias eram palavras soltas
fazendo sons no pensamento.
Meus conflitos dançavam.
Toda ideia era calma.
Rasga! O Sopro do mestre. Deus?
Deu-se num Sax.
Rompendo no peito feito flecha com farpas.
Despregando as amarras. Evadindo o próprio corpo.
Olhar o nada e largar-me ocorreu numa ação dessabida. Aquele grave com som de madeira que abraçava a cintura, levava-me.
Aquela corrida de notas sopradas sem freio, sem pouso, lembrava-me tanto a vida.
Mas qual? Coltrane é de 60.
Estou novamente atrasado.
Mas o tempo necessário foi tomado, até o último gole.
Houve atraso, não desperdício do tempo.
Mas como explicar pra quem é regrado?
Pés descalços,
cigarro na mão esquerda repousada sobre o cinzeiro de plástico.
Costas no tapete, olhos para o teto.
Fumaça densa subindo em ésses.
Desejo de mato, de advinhar a chuva pelo cheiro, da noite extremamente longa, desejo do silêncio com cigarras,
desejo de um trago longo.
Ficou sem cigarros. Correu à padaria em frente para comprá-los. Lá,
distraiu-se rapidamente com uma televisão ligada, sorriu para a caixa e saiu. Esqueceu-se do que pensava, de concluir. Trocou de pensamento na volta pra casa. Desviou o dia.
4.12.14
Bate o pé na estrada
estrada bate
Arvoçoa fragmentos
de terra
misturados com lamentos
que enterra
Poeira à beira
enquanto bate
estrada parte
no pé
Tão pouco se dá conta
que é na ponta
que o deleite se encontra
Bate o pé na estrada
rumando o horizonte fugitivo
que é caminho, é onde se está
é o que passa, mas nunca laça
o destino ser esquivo
Estrada bate
Nada abatido
Pé no embate
A estrada bate
enquanto passa
e ainda há muito o que passar
No calcanhar sofrido
terra batida, apanhada
contando uma história, trajetória
qual curva eu não entrei,
onde corri onde parei
terra que acolhe o passo sem amortecer
estrada que recolhe o vasto para caber
já sofri já fiz sofrer
bate o pé estrada
Estrada bate
há sempre um empate em perder
24.8.14
Mundo palco mundo
11.8.14
Um Quarto
Está muito colorida de uma só cor.
Quadros e retratos não! Já não bastam...
Há uma séria carência nelas, percebe?
Não sei, mas essa ideia me parece um tanto óbvia.
Mas falta algo, concordo... Sabe o quê, exatamente?
Isso pode trazer um novo aspecto. Uma euforia diferente, ainda não experimentada.
Não era um quarto; Não era meio.
Muito menos inteiro.
2.7.14
Cedo
16.6.14
Junino
Gente que vai se esbarrando,
sotaques se misturando,
jeitos e trejeitos se fecundando.
Gente que vai nascendo, que vai morrendo
e gente que ninguém nem-se-sabe que já viveu.
Gente com uma vida todinha já morrida e que nunca eu ouvi falar. Arre!
Às vezes penso que o mundo, pra mim, é meu zóio e meu zuvido
Pois
E em toda cidade que eu repousei
Toda estradinha que andarilhei
Em toda roda de fogueira que já fiquei
E em almoço de família que me fartei
Nunca ouvi falar de tais vidas ,
que já se passaram e que nem sei
E eu? Vivinho vivinho, mas só pra quem cruzei.
Acho que não tenho vida nas outras bandas desse vale
Afinal, nunca passei por lá.
Às vezes me dá uma inquietação
de fazer o possível
pra ser vivo em tudo quanto é lugar
E em todo lugar que eu for, estarei vivo
e darei vida a uma porção de gente boa que já encontrei por ai
Tem gente estranha
e interessante neste mundinho grande
que minhas pernas alcançam
Espalho com muito bom grado feitios de um bando de gente
Gente que me marcou a vida...
(e que agora são minhas por ter, comigo, compartilhado tempo)
Mas agora sei, que só d’eu viver
Deixo que elas vivam mais um bucado de tempo através de minhas histórias, de minhas lembranças
Tem gente com suas tristezas ocultas e sorrisos estampados
Gente besta! Quanta gente besta.
Desse tipo de gente
não hei de contar um cisquinho de nada,
Nenhum caco de vida
E nenhuma faísca de aventura. Nada!
Gente tão ruim, que se fecha tanto
mas tanto dentro dos seus quereres e motivações
que parecem viverem sozinhas.
Gente que se foca em conquistar uma pré-morte confortável
Gente sem história, sei lá.
Gente que não vale a pena de se carregar no peito.
Chego mesmo a pensar que algumas ficções,
essas cantigas, ou estórias de livros
e romances ou poesias,
são mais proveitosas de se propagar, de rememorar.
Não quero vida menos intensa
do que dessas que se pode escrever não.
Temos muito mais em nós
do que uma tinta e papel possam descrever.
8.4.14
Dita às duras
6.4.14
Adiantar
Pausas que me avançam,
que abrem brechas para o eternizar da vida.
É bom estar assim.
Triste são aqueles que, ontem e hoje,
nada puderam sentir além do mais do mesmo.
Tudo muda. Todos...
Não me canso facilmente. É preciso esgotar.
Poupar-se de sensações diversas para quê?
Aprendi como correr para
intensificar meu andar vagaroso.
Tempo apressado que me sussurra nos ouvidos
Que a cada dia que ganho, perco-o.
Viver tudo ao mesmo tempo,
como um desespero silencioso,
é o mesmo que encher a boca de gostos
e não saborear nenhum deles.
É preciso pausar para apreciar,
a calma faz o instante penetrar no fundo do peito.
Quando estiver
no limiar da porta de saída, pronto pra minha despedida,
não terei memórias que destaquem
tempo,
fases ou idades.
Num todo absoluto,
Lembrarei
dos momentos em que pude sentir a vida
30.3.14
Frase
escrevê-la-ia
Mas não consigo pensar.
Há muitas vozes que se aglomeram às minhas
e discerni-las já não é tarefa fácil.
Não escuto meus pensamentos.
Não entendo o que quero me dizer
e talvez não queira mesmo me ouvir.
Pelo menos agora, não o quero.
Evitando o que apenas se adia.
Terei que me dizer,
mas que o agora, por hora,
prolongue-se. Alargue...
Preparando-me
para mim mesmo