O monstro que crio dentro de mim
avassala-me.
Inventara-o por proteção,
Mas o maldito conspirou contra mim!
Aproveitando-se de meus bons momentos de distração,
Foi inofensivamente engrandecendo.
E em pouco tempo
cogitava, em tom de ameaça,
possibilidades remotas de tomar meu posto.
Sentiu fúria
pela minha indiferença quanto ao seu enclausuramento.
Está feroz
e as amarras já não podem mais com ele.
Sinto-o soltando-se.
Ouço seus gritos ressoando
pelas paredes que o encarceraram
Sinto-o chegando à superfície
para cumprir sua promessa,
para se alimentar do que mais deseja: Eu
E sem alarmes,
o banquete foi servido.
Tão repentino que pode ter acontecido
as três da tarde de qualquer terça-feira.
Diminuo a cada mordida desferida por ele,
acompanhando uma inversa proporção de força e tamanho.
Eis que chego ao ponto
d´eu me tornar meu próprio monstro,
enquanto fico aprisionado secretamente.
Sendo impedido
de ver a vida com meus antigos olhos.
Balançando entre minhas verdades.
Quais minhas fraquezas?
Onde sempre encontrei vitalidade?
Pra onde foi o absurdo?
Se mudo o tempo todo
Muda é minha definição.
Ponto! Não conseguirei ser nada.
Embora, não haja nada que eu não possa ser.
Balançando entre minhas verdades
Revezo as roupas que visto meu cérebro.
Nunca mais o vi nú.
30.1.14
18.11.13
Correnteza
Sou levado:
sem rumo, sem remo,
sem força, obra ou manobra
que desfaça esse
arrastar que vaivém.
Esse licor quase
sem gosto
que na mesa, diante
de mim, é posto
é abundante e
vigoroso.
Dele bebo e me
afundo.
Fujo pra fugir do
mundo,
para que ele fuja
de mim também.
Viramo-nos ao contrário
e partimos.
Mas o pior é que
mesmo saindo os
dois juntinho e de fininho
é capaz de nos
trombarmos ali, já na próxima esquina.
Êta mundo todo que
foge pra dentro de mim.
Mundo besta! Só se for...
Que confia a mim
possibilidades de mudanças.
Voz do mundo que
ecoa,
Voz clemente,
afoita, aflita.
Mas a voz do meu
quintal grita.
Voz manipuladora
que abafa as concorrentes.
Tomo murros
por não definir o
lado da esquiva.
Sou levado pelo
irrequieto.
Vida apressada,
regressiva.
Vida que bate e
rebate no meu peito
Que me arrasta por
fora,
E me desloca por
dentro.
13.11.13
Turvo
Sinto vontade de escrever. De exprimir o sentimento que calo,
para que não me pode mais,
para que pare de me demolir.
Dessa vontade,
Saem palavras
sobre o não compreender profundo do que se passou,
sobre o que passou, o porquê dos acontecimentos.
Saem palavras
ralas e rasas. Mas não escassas
para que não me pode mais,
para que pare de me demolir.
Dessa vontade,
Saem palavras
sobre o não compreender profundo do que se passou,
sobre o que passou, o porquê dos acontecimentos.
Saem palavras
ralas e rasas. Mas não escassas
Lindo é o conjunto de letras que se pode arranjar,
Lindo sentido incutido, arquitetado, desenho gravado.(?)
Esboço gravado.
Mesmo com a excessiva quantidade de palavras,
de caminhos e possibilidades...
São ideias que se traduzem através delas;
São ideias que se traduzem através delas;
Lindas palavras, podem ser,
mas ralas e rasas.
mas ralas e rasas.
Notas desafinadas timbram o papel.
Palavras não podem descrever o todo, o que nos é desconhecido.
São inúteis contra a inóspita ideia-inexplicável.
Dessa forma,
Saem palavras,
Saem dilemas.
Saem palavras,
Saem dilemas.
Descrições de um estado momentâneo e passageiro
Podem soar perpétuos ao saírem de nossas cabeças.
As palavras com timbres tristes, pesados.
As palavras com timbres tristes, pesados.
Poema que homenageia o estado passageiro
que adoece a alma.
que adoece a alma.
Gosto dos poetas que escrevem tristes.
Gosto de suas palavras.
Há momentos em que me sinto neles.
Tenho um surpreendente alívio egoísta
ao saber que não sou o único a provar desses sentimentos.
A tristeza é uma grande artista.
Soube, que em breve,
fará uma nova exposição nos melhores museus da cidade.
24.10.13
Caído em desuso
Chora o velho artista
Cansado de parecer completo.
É velho
Com racionamento de atividade agindo nos músculos;
Com vontades e coragens joviais
Mas com respiração rija e bronquitosa.
Anda por sua casa rodeada de lembranças
Acha na estante um vinil antigo
Põe para rodar em sua vitrola de sensações
Aquelas lembranças soando através da bela melodia
Linda e já tão distante.
Como estará aquela moça
que se apegou às melodias tristes e distantes?
Um belo disco estala ressoando as notas do tempo
em que a vida esteve presente e intensa.
Agora,
é apenas um passado marcante.
Chora o velho artista,
com sua criatividade impedida pelos músculos fracos e imprecisos.
Por sua frequente falta de inspiração.
Um vazio o preenche
Chora por não saber ao certo o que lhe falta.
Enxuga as lágrimas ao som de suas memórias.
Ao som que o levou a lugares, à momentos revisitados.
A música troca. É animada e o embala.
Aquele antigo Jazz o faz abrir um sorriso sacana, malandro.
Onde estará aquela moça
que se apegou aos momentos animados
e já tão distantes?
Uma breve e alegre nostalgia o toma.
Nostalgia alegre? Nostalgias são quase sempre tristes.
Faz parte de sua essência.
Chora o velho artista. Sorri.
Chora por ser velho,
Por estar novo e ser velho.
Chora pela comparação desleal.
Por reviver na memória seus melhores momentos.
Por reviver na memória seus melhores momentos.
Por saber que ainda vive
e que, por ser velho, já deveria sentir-se completo.
Já não há mais tempo para acertos e para erros
Há somente tempo de sobra
para re-análises
1.10.13
Pensamentos da Despensa
A pressa, espessa,
Atirou-se violentamente contra a parede.
Escorreu pela fenda
Que fora aberta pelos pensamentos aflitivos.
Penetrou na mais profunda calma espirituosa
Sacudiu!!
Casulos Rompidos
Metas e caminhos se apresentam,
Por todos os lados, como raios luminosos.
Claros e Infinitos. Que cegam.
Que atordoam
O peito se estende; Alarga.
Defronta e confronta.
Escudo frágil que se atreve.
Encoraja a vitalidade
A depositar mais fé sobre si mesma.
Uma vitalidade determinada.
Indispensável
Atirou-se violentamente contra a parede.
Escorreu pela fenda
Que fora aberta pelos pensamentos aflitivos.
Penetrou na mais profunda calma espirituosa
Sacudiu!!
Casulos Rompidos
Metas e caminhos se apresentam,
Por todos os lados, como raios luminosos.
Claros e Infinitos. Que cegam.
Que atordoam
O peito se estende; Alarga.
Defronta e confronta.
Escudo frágil que se atreve.
Encoraja a vitalidade
A depositar mais fé sobre si mesma.
Uma vitalidade determinada.
Indispensável
6.9.13
Madrugada
Quando os sonhos me visitam
Deixando, amena, a saudade que sentia,
engolindo-me para dentro da própria cabeça
já é madrugada.
Quando os braços
- num último resquício de plenitude dos sentidos, reúnem meus pedidos e procura-os -
- num último resquício de plenitude dos sentidos, reúnem meus pedidos e procura-os -
esticam-se ao máximo. Acham o vazio.
Descobrem-se pouco e curtos
Você longe.? Não.
Você longe.? Não.
Quando o sonho te inventa admitindo a sonolência
Já é madrugada
Não quero sonhar com lindos campos verdes, viagens.
Não quero criar sensações de ilusória alegria
se lá você não estiver
Mas o " quero" não exerce influência sobre os sonhos.
Ainda assim,
numa camada mais profunda que não se pode explicar,
sem intervenção da vontade,
procuro-te.
Mas o " quero" não exerce influência sobre os sonhos.
Ainda assim,
numa camada mais profunda que não se pode explicar,
sem intervenção da vontade,
procuro-te.
E já é madrugada quando a distância,
embora mantida, anula-se.
embora mantida, anula-se.
Vejo-te, ouço-te, falamo-nos.
Lindo encontro que se passa em minha cabeça.
Nada longe. Está aqui.
Nada longe. Está aqui.
Horas se derramam tranquilamente
e passeios, encontros, são cinemas marcantes que se passam.
Noite que finalmente adormece.
O despertar...
Chega o despertar.
O despertar não se torna
ruptura inconsolável ou sonho inatingível.
Faz-me um apressado
para reviver o sonho de forma real.
A cada novo despertar
Recebo vida descansada
Inédita vontade de tomar o que me é oferecido,
De romper a madrugada
de vivê-la
de entregar-me e ser entregue na manhã seguinte
Acompanhado, unido
até a última camada de meu pensamento, do que sou
13.8.13
Cigana
Minhas palmas estavam esticadas, nuas. Quando percebi estava exposto.
- Consigo ler suas mãos! - Disse a cigana deslizando os dedos sobre os riscos da palma
Realmente as leu
- Consigo ler suas mãos! - Disse a cigana deslizando os dedos sobre os riscos da palma
Realmente as leu
E curiosamente entendeu
com uma absoluta clareza aquelas riscas, minhas, que
nunca me disseram nada.
Desvendou meus trajetos não traçados,
mas não citou com quais trejeitos os realizaria.
Decifrou o futuro e entregou-me os problemas e soluções.
Convenceu-me pela sua inabalável convicção. Invejei-a.
Aceitei pagar-lhe moedas apenas para me punir por não
possuir igual verdade.
Mas deixei-a sinceramente agradecido
Saí mais convicto.
Tenho agora a certeza de não acreditar nas linhas das
mãos.
6.8.13
Contínuo
Não percebia que prosseguia, mesmo
parado.
Estava estacado,
mas o tempo passava
sob seus pés e puxava-o feito uma esteira rolante
Carregando-o, cada vez mais, para
perto de si.
29.7.13
Atracção
Tenho muito mais em
mim
que uma tinta e
papel possam descrever.
Mergulhar no escuro
de cabeça
E fazer isso do
jeito que me vier como vontade
(e não do jeito que
me vendem como prioridade)
Em alto-mar é
preciso saber conduzir o barco.
E nessa minha
condução, sinto-me um aprendiz de argonauta
Não me guio pela
orientação dos sábios
e minha bússola não indica os pólos
Minha religião não
deposita fé em maniqueísmos
e minhas dúvidas não sabem em quem confiar as
respostas
Quero alçar as
velas e atracar-me num lugar seguro.
27.6.13
Fermento Vencido
O mundo que vivo
Lugares que piso
Perigos que viso, que evito, que exito
Que existo... para que oras existo?
O mundo pode ser de escolhas, de persistência silenciosa
Podemos fazer escolhas, pois oportunidades não nos faltam
Não nos falta vida para fazê-las.
Talvez não falte...
Nem a coragem para vivê-la; Nem a preguiça para originar desinteresses
Nem o incômodo que nos chacoalhe o suficiente para agir e
Nem o conforto que nos faça, sem ansiedade, aguardar esse incômodo
Talvez não nos falte nada
A não ser a percepção que a vida é esta!
Esta de agora
que o fez ler este texto ao invés de ir ao mercado
que te manteve na internet ao invés de tirar um cochilo.
Mas sem condenações pelas escolhas feitas e já vividas
Apenas a pequena, simples e ordinária percepção de que as próximas escolhas
poderão mudar-nos profundamente.
Tenho acordado com uma vontade de mudar o mundo
E tenho dormido com uma inquietação maior que a do dia anterior
Lugares que piso
Perigos que viso, que evito, que exito
Que existo... para que oras existo?
O mundo pode ser de escolhas, de persistência silenciosa
Podemos fazer escolhas, pois oportunidades não nos faltam
Não nos falta vida para fazê-las.
Talvez não falte...
Nem a coragem para vivê-la; Nem a preguiça para originar desinteresses
Nem o incômodo que nos chacoalhe o suficiente para agir e
Nem o conforto que nos faça, sem ansiedade, aguardar esse incômodo
Talvez não nos falte nada
A não ser a percepção que a vida é esta!
Esta de agora
que o fez ler este texto ao invés de ir ao mercado
que te manteve na internet ao invés de tirar um cochilo.
Mas sem condenações pelas escolhas feitas e já vividas
Apenas a pequena, simples e ordinária percepção de que as próximas escolhas
poderão mudar-nos profundamente.
Tenho acordado com uma vontade de mudar o mundo
E tenho dormido com uma inquietação maior que a do dia anterior
17.4.13
Artista
Um rapaz doido. Quase normal (se não fossem os últimos dias). Fazia pouco tempo que havia adquirido a loucura. Por isso ainda era quase doido (ou quase normal).
Adequava-se ao meio-fio capengo, andava com equilíbrio ébrio.
Não se importava para o lado que tombaria,
não se importava nem com a continuidade de seus passo sobre o meio-fio.
Mas cairia,
sobre a loucura ou sobre os pés da normalidade.
Andava; Maneja o corpo contra o vento; Mantinha-se vivamente indeciso.
Formulava frases subjuntivas.
Se caísse para a doidice viveria diariamente o não aceitar da vida,
julgaria a normalidade insana
e seria julgado insano
por julgar insano o que todos afirmam ser normal.
Caiu.
A falta de equilibrio não permitiu o adiamento da queda.
Caiu e deitado permaneceu.
Mergulhou para o lado da loucura. Afundou. Aprofundou-se em seus pensamentos. Todos insanos. Saudavelmente insanos.
Voltou pra casa, despejou o pote de açucar na privada e deu descarga para adoçar os encanamentos. Abriu as portas do guarda-roupa e procurou o que não havia. Encontrou.
Foi ao encontro da parede e abraçou-a sem unir as mãos. Sentiu o abraço gelado, retríbuido.
Ferveu água e botou-a no freezer para calcular o tempo até o congelamento.
Sentou-se agitado,
assou o nariz na barra da calça jeans que usava e despiu-se das roupas, da vergonha.
Ligou a TV e transou com um programa de fofocas, gozou na cara da apresentadora e gargalhou.
Sentiu nojo dela, das notícias quase necessárias. Assim como ele, quase necessário.
Jogou a TV no chão e apalaudiu o curto espetáculo das faíscas. Dançou sobre os cacos de vidro e, com um deles, rasgou uma das mãos. Tingiu as paredes do quarto com o desenho de suas palmas.
Plantou bananeira; Chorou desconsolado; Deu cambalhotas no sofá; Regou as plantas da vizinha; Mijou no retrovisor d'um carro importado estacionado em sua rua;
Chamou a atenção.
Voltou, pegou o violão e compôs a música mais bela que ouvira nos últimos cem anos.
Sorriu completo. Estava batizado.
Sentiu-se um artista. Tornou-se um...
3.4.13
Dança do tempo
O tempo passa de maneiras diferentes.
Cada dia demonstra ter um andamento, um poema contido.
Parece haver variados estilos musicais que permeiam o dia.
Da valsa ao punk, oscilamos. Do soul à rockabilly, dançamos.
Pelas diversas nuances de sinfonia, sentimos-nos discretamente influenciados.
Dou sinais que repito o velho ditado: “dançar conforme a música”. Mas a percepção pode ser diferente.
Nem sempre sabemos os passos da próxima dança.
Guio-me instintivamente pelo ritmo;
as pernas frouxas tentam bater os pés conforme o andamento.
Tento não cair, aprender depressa.
Examino os hábeis dançarinos
como se a observação pudesse ensinar-me algo. Todos eles, por cansaço ou falha na destreza,
esfolaram-se por quedas causadas pelas danças anteriores.
Mas parecem-me, agora, animados
por terem conseguido esquecer-se das quedas
que ainda hoje sofro.
Aproveito ambos os tempos e contratempos que o Tempo me obriga.
Aproveito-os porque os aceito. Pois aproveitar pode ser apenas
utilizar-se da situação
por falta de oposição ou de opção.
Aproveitar / dançar conforme a música, nem sempre significa tirar proveito.
As vezes não me incomodo em ser aquele garoto tímido apoiado na parede enquanto rola o baile da escola.
Eis um desejo que gostaria que se realizasse! :
(um desejo insano e improvável)
A pausa do tempo.(No tempo)
Pausa sabática. Tempo estagnado para uma longa meditação.
Uma interrupção que mantivesse minha idade, conservasse minha saúde já gasta
e alterasse apenas minhas certezas e ideologias.
Refletiria sobre o que sou, sobre o que são os outros,
sobre o que somos quando juntos,
sobre mudanças e negligências, abandonos e permanências.
Talvez deixar de contar com algumas esperanças.
Aprender a ser, na medida certa, receptivo com a realidade,
mais verossímil com meus devaneios
e, talvez, não cobrar tanto da vida. Talvez.
Tiraria conclusões e seguiria adiante mais confiante.
Alcançando uma maturidade velha quando a interrupção terminasse.
Não precisaria tornar-me velho para descobrir
o que deveria ter feito enquanto novo,
enquanto hoje.
Mas o tempo não permite tal privilégio.
Ele se estica e arrasta-me puxando pela perna. Não quero ir, mas vou.
Ele é forte, imenso, ininterrupto, intolerante e imaginário.
E eu... Eu fico
e passo
ao passo em que perco a contagem dos meus segundos. Fico e vou.
Cada dia demonstra ter um andamento, um poema contido.
Parece haver variados estilos musicais que permeiam o dia.
Da valsa ao punk, oscilamos. Do soul à rockabilly, dançamos.
Pelas diversas nuances de sinfonia, sentimos-nos discretamente influenciados.
Dou sinais que repito o velho ditado: “dançar conforme a música”. Mas a percepção pode ser diferente.
Nem sempre sabemos os passos da próxima dança.
Guio-me instintivamente pelo ritmo;
as pernas frouxas tentam bater os pés conforme o andamento.
Tento não cair, aprender depressa.
Examino os hábeis dançarinos
como se a observação pudesse ensinar-me algo. Todos eles, por cansaço ou falha na destreza,
esfolaram-se por quedas causadas pelas danças anteriores.
Mas parecem-me, agora, animados
por terem conseguido esquecer-se das quedas
que ainda hoje sofro.
Aproveito ambos os tempos e contratempos que o Tempo me obriga.
Aproveito-os porque os aceito. Pois aproveitar pode ser apenas
utilizar-se da situação
por falta de oposição ou de opção.
Aproveitar / dançar conforme a música, nem sempre significa tirar proveito.
As vezes não me incomodo em ser aquele garoto tímido apoiado na parede enquanto rola o baile da escola.
Eis um desejo que gostaria que se realizasse! :
(um desejo insano e improvável)
A pausa do tempo.(No tempo)
Pausa sabática. Tempo estagnado para uma longa meditação.
Uma interrupção que mantivesse minha idade, conservasse minha saúde já gasta
e alterasse apenas minhas certezas e ideologias.
Refletiria sobre o que sou, sobre o que são os outros,
sobre o que somos quando juntos,
sobre mudanças e negligências, abandonos e permanências.
Talvez deixar de contar com algumas esperanças.
Aprender a ser, na medida certa, receptivo com a realidade,
mais verossímil com meus devaneios
e, talvez, não cobrar tanto da vida. Talvez.
Tiraria conclusões e seguiria adiante mais confiante.
Alcançando uma maturidade velha quando a interrupção terminasse.
Não precisaria tornar-me velho para descobrir
o que deveria ter feito enquanto novo,
enquanto hoje.
Mas o tempo não permite tal privilégio.
Ele se estica e arrasta-me puxando pela perna. Não quero ir, mas vou.
Ele é forte, imenso, ininterrupto, intolerante e imaginário.
E eu... Eu fico
e passo
ao passo em que perco a contagem dos meus segundos. Fico e vou.
28.2.13
Pára Deus
A vontade do adeus! Adeus!
Ao Deus, digo foda-se. Duvido você existir!
Du-vi-do! - risos
Duvido você me anular, extinguir-me,expulsar-me da memória alheia
e fazer com que todos jamais saibam quem eu fui.
Consegue?
Há!
Tem alguém surdo ai??? Ca-cete!
Esse cara não conversa com niguém que não tenha bata-e-ezquizofrenia?
Hei! Tô aqui!
Desafio você a fazer tudo isto !
Tudo isto enquanto Eu vivo!
Fazer com que todos me esqueçam e que eu viva o meu próprio esquecimento – E em vida!
Ah! E não quero que me expurgue
para dar de exemplos aos outros.. Isso é golpe baixo.
Isso não vale... Seja justo ao menos comigo...
Largue de ser covarde e de esperar que eu morra para me punir!
Bundão!
Desafio-teagora! a demonstrar a força que parece ter. Que dizem que tu tens... UUUuuuU Que medinho...
Tem essa porra toda ai mesmo?
E olha!
Eu me entrego ... Veja só...
Eu me entrego como cobaia para que prove sua capacidade de ser mal, humano e vingativo
Vai me dizer que é de levar desaforo para casa??? - risos
Você é tão patético cara...
Tanto quanto Eu!
Provoco-te com indiferença,
E nada me ocorreu enquanto gritava tudo isto
Se conseguires usar-me de exemplo para mim mesmo,
Sagrado para mim tú serás!
E enfim,
O meu fim trará,
Fará-me um seguidor teu. Finalmente de novo!
Criarei meu santuário,
Pregarei meu símbolo na cruz,
E condenarei-me a agradecer-lhe o tempo inteiro
Pelo resto dos meus dias temerosos...
Ao Deus, digo foda-se. Duvido você existir!
Du-vi-do! - risos
Duvido você me anular, extinguir-me,expulsar-me da memória alheia
e fazer com que todos jamais saibam quem eu fui.
Consegue?
Há!
Tem alguém surdo ai??? Ca-cete!
Esse cara não conversa com niguém que não tenha bata-e-ezquizofrenia?
Hei! Tô aqui!
Desafio você a fazer tudo isto !
Tudo isto enquanto Eu vivo!
Fazer com que todos me esqueçam e que eu viva o meu próprio esquecimento – E em vida!
Ah! E não quero que me expurgue
para dar de exemplos aos outros.. Isso é golpe baixo.
Isso não vale... Seja justo ao menos comigo...
Largue de ser covarde e de esperar que eu morra para me punir!
Bundão!
Desafio-teagora! a demonstrar a força que parece ter. Que dizem que tu tens... UUUuuuU Que medinho...
Tem essa porra toda ai mesmo?
E olha!
Eu me entrego ... Veja só...
Eu me entrego como cobaia para que prove sua capacidade de ser mal, humano e vingativo
Vai me dizer que é de levar desaforo para casa??? - risos
Você é tão patético cara...
Tanto quanto Eu!
Provoco-te com indiferença,
E nada me ocorreu enquanto gritava tudo isto
Se conseguires usar-me de exemplo para mim mesmo,
Sagrado para mim tú serás!
E enfim,
O meu fim trará,
Fará-me um seguidor teu. Finalmente de novo!
Criarei meu santuário,
Pregarei meu símbolo na cruz,
E condenarei-me a agradecer-lhe o tempo inteiro
Pelo resto dos meus dias temerosos...
25.2.13
Soltamente
I.
Aqueles dias quentes sem refresco já incomodava.
A roupa colada no corpo,
A cabeça ansiosa para antecipar o destino,
O corpo caminhando abringando-se nas sombras.
Que calor era aquele que implorava por noite?
Qual a temperatura, que uma vez atingida, fazia-o esquecer-se dos conflitos,
anuvia-lhe os planos, confundia-lhe as certezas, deixava-o mole?
Nas ideias, apenas devaneios sobre alívios-corpóreos-imediatos.
Geleiras... estão quão distantes daqui?
Do Sol vinha, sentia vir,
uma energia carregada de vigor que abriam os poros,
uma intensidade que afogava o corpo com a própria água. Banhava-nos de nós mesmos.
Os rios; mares; águas; suores dos corpos;
Voavam as águas ao encontro do envolvente, ardente e atraente astro.
No alto o encontro pluvial. Chocavam-se sem impacto.
Flutuavam discretas e invísiveis.
Seu vapor pintava a tarde com uma única cor:
Cinza-sereno
Profecia óbvia;
Já exausta de calor-lançado, despejou com ira a água absorvida,
devolvendo o que não lhe cabia mais. Chuva.
Chora, ato quase triste pelo desapego.
Levada pelos ventos. Permitiu por acalento desanuviar o céu.
Por detrás, risonhamente, ressurgia o astro.
Naturalmente belo, somos natureza. Também
Contribuindo
e recebendo semelhante parcela.
II.
O dia passa, mudam-se as cores.
Apresenta-se a noite manchando o dia com seu novo azul-claro-escurescendo
Noite clara, negra.
Por ali fica, horas-somada-de-horas que silenciam os corpos.
Com sua aúrea pesada, exige descanso.
Desta vez ele resistiu. Ficou a sós, mudo por respeito;
mudo para contemplá-la.
Atento. Absorto. Distraído.
Do negro ao roxo.
De súpeto: está roxo o céu?
De súbito?
Ressurgia o astro que paulatinamente manchava a noite,
espreguiçando-se a cada raio de sol,
o infindável ciclo degradê das cores.
Como criança espantada, encantada pela claridade,
Ele reparava no brilho intenso que surgia,
no velho astro que se erguia.
De suas retas sinuosas
sentia a intensidade difusora.
Detendo a vista sobre o Sol, descansou o espírito.
Por horas a olhá-lo, sem se desviar.
Alterou a mira dos olhos por incômodo,
por cansaço de testa franzida.
Recebeu a força do clarão redondo.
Percebeu que mesmo sem olhá-lo
Ali estava ele!
Encontrava-o em todos os lugares em que pairava a vista.
Até de olhos fechados, no escuro, enxergava-o.
Percebeu que o grande astro estava nele. Encrustrado em sua visão.
Era nítida a imagem do pequeno semblante, a redonda silhueta azul estava em tudo quanto era lugar.
A contemplação da grande estrela marcou-lhe a retina da memória.
O Sol se alongava pelo céu,
sem cauda, sem rastros de seu movimento.
No topo, observando, amadurecendo, aquecendo. Irritava.
A roupa colava no corpo,
A cabeça ansiava para antecipar o destino.
Voltou para casa abringando-se nas sombras.
Começou um outro dia belo e sem refresco. Começou incomodado.
Aqueles dias quentes sem refresco já incomodava.
A roupa colada no corpo,
A cabeça ansiosa para antecipar o destino,
O corpo caminhando abringando-se nas sombras.
Que calor era aquele que implorava por noite?
Qual a temperatura, que uma vez atingida, fazia-o esquecer-se dos conflitos,
anuvia-lhe os planos, confundia-lhe as certezas, deixava-o mole?
Nas ideias, apenas devaneios sobre alívios-corpóreos-imediatos.
Geleiras... estão quão distantes daqui?
Do Sol vinha, sentia vir,
uma energia carregada de vigor que abriam os poros,
uma intensidade que afogava o corpo com a própria água. Banhava-nos de nós mesmos.
Os rios; mares; águas; suores dos corpos;
Voavam as águas ao encontro do envolvente, ardente e atraente astro.
No alto o encontro pluvial. Chocavam-se sem impacto.
Flutuavam discretas e invísiveis.
Seu vapor pintava a tarde com uma única cor:
Cinza-sereno
Profecia óbvia;
Já exausta de calor-lançado, despejou com ira a água absorvida,
devolvendo o que não lhe cabia mais. Chuva.
Chora, ato quase triste pelo desapego.
Levada pelos ventos. Permitiu por acalento desanuviar o céu.
Por detrás, risonhamente, ressurgia o astro.
Naturalmente belo, somos natureza. Também
Contribuindo
e recebendo semelhante parcela.
II.
O dia passa, mudam-se as cores.
Apresenta-se a noite manchando o dia com seu novo azul-claro-escurescendo
Noite clara, negra.
Por ali fica, horas-somada-de-horas que silenciam os corpos.
Com sua aúrea pesada, exige descanso.
Desta vez ele resistiu. Ficou a sós, mudo por respeito;
mudo para contemplá-la.
Atento. Absorto. Distraído.
Do negro ao roxo.
De súpeto: está roxo o céu?
De súbito?
Ressurgia o astro que paulatinamente manchava a noite,
espreguiçando-se a cada raio de sol,
o infindável ciclo degradê das cores.
Como criança espantada, encantada pela claridade,
Ele reparava no brilho intenso que surgia,
no velho astro que se erguia.
De suas retas sinuosas
sentia a intensidade difusora.
Detendo a vista sobre o Sol, descansou o espírito.
Por horas a olhá-lo, sem se desviar.
Alterou a mira dos olhos por incômodo,
por cansaço de testa franzida.
Recebeu a força do clarão redondo.
Percebeu que mesmo sem olhá-lo
Ali estava ele!
Encontrava-o em todos os lugares em que pairava a vista.
Até de olhos fechados, no escuro, enxergava-o.
Percebeu que o grande astro estava nele. Encrustrado em sua visão.
Era nítida a imagem do pequeno semblante, a redonda silhueta azul estava em tudo quanto era lugar.
A contemplação da grande estrela marcou-lhe a retina da memória.
O Sol se alongava pelo céu,
sem cauda, sem rastros de seu movimento.
No topo, observando, amadurecendo, aquecendo. Irritava.
A roupa colava no corpo,
A cabeça ansiava para antecipar o destino.
Voltou para casa abringando-se nas sombras.
Começou um outro dia belo e sem refresco. Começou incomodado.
18.2.13
Solo
Sementes caem
permeiam nosso solo cerebral
são engolidas pelo inconsciente
e absorvidas pelo inconsequente
Escolhemos as sementes que vão germinar?
Podemos selecionar? Ou de tudo nasce?
Do bom ao ruim,
Da peçonha ao inofensivo,
Do humano à arvore frutífera
?
Reféns de acontecimentos randômicos
Regemos as nossas vontades
Regamos nossa terra com uma otimista expectativa pré-existente.
Coragem cega que atrai.
Atraídos feito um caule instintivo procurando suco em seus sulcos.
Atraídos,
procuramos alma em nossas vidas.
Somos maestros de poucas notas.
Somamos o conjunto
para compormos a sinfonia.
Estamos prontos para germinar qualquer semente
Somos aptos para originar qualquer semente
Somos úmidos, amplos
terrenos férteis.
Pele morena feito barro,
olhos negros como a volúpia da noite.
A comunicação muda dos cheiros.
Dispersadas pelo ar
Sentidas pelo mundo.
Nossas histórias acontecendo em simultâneo.
permeiam nosso solo cerebral
são engolidas pelo inconsciente
e absorvidas pelo inconsequente
Escolhemos as sementes que vão germinar?
Podemos selecionar? Ou de tudo nasce?
Do bom ao ruim,
Da peçonha ao inofensivo,
Do humano à arvore frutífera
?
Reféns de acontecimentos randômicos
Regemos as nossas vontades
Regamos nossa terra com uma otimista expectativa pré-existente.
Coragem cega que atrai.
Atraídos feito um caule instintivo procurando suco em seus sulcos.
Atraídos,
procuramos alma em nossas vidas.
Somos maestros de poucas notas.
Somamos o conjunto
para compormos a sinfonia.
Estamos prontos para germinar qualquer semente
Somos aptos para originar qualquer semente
Somos úmidos, amplos
terrenos férteis.
Pele morena feito barro,
olhos negros como a volúpia da noite.
A comunicação muda dos cheiros.
Dispersadas pelo ar
Sentidas pelo mundo.
Nossas histórias acontecendo em simultâneo.
4.2.13
Crônica - Cansou de Descanso
Cantarolando uma velha canção regional,
Balbuciando qualquer sílaba que se encaixasse naquele velho ritmo country
Desceu lentamente os degraus da parte de fora
Descia assim, sem pressa de destino
Fechou o portão sem ansiedade
Ao se distanciar um pouco da casa, parou assustado consigo mesmo
Voltou com passos rápidos para casa. Estava eufórico, feito uma criança de bicicleta...
Passou pelo jardim como um foguete, deu a volta na casa
Ressurgiu a sua frente uma pilha de lembranças
Sentou-se na cadeira.
O que o levara até o porão? Não se lembrava mais...
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