24.10.13

Caído em desuso

Chora o velho artista
Cansado de parecer completo.

É velho
Com racionamento de atividade agindo nos músculos;
Com vontades e coragens joviais
Mas com respiração rija e bronquitosa.

Anda por sua casa rodeada de lembranças
Acha na estante um vinil antigo 
Põe para rodar em sua vitrola de sensações

Aquelas lembranças soando através da bela melodia 
Linda e já tão distante.

Como estará aquela moça 
que se apegou às melodias tristes e distantes?

Um belo disco estala ressoando as notas do tempo 
em que a vida esteve presente e intensa.
Agora,
é apenas um passado marcante.

Chora o velho artista,
com sua criatividade impedida pelos músculos fracos e imprecisos.
Por sua frequente falta de inspiração.


Um vazio o preenche
Chora por não saber ao certo o que lhe falta.

Enxuga as lágrimas ao som de suas memórias.
Ao som que o levou a lugares, à momentos revisitados.

A música troca. É animada e o embala. 
Aquele antigo Jazz o faz abrir um sorriso sacana, malandro.

Onde estará aquela moça 
que se apegou aos momentos animados
e já tão distantes?

Uma breve e alegre nostalgia o toma.

Nostalgia alegre? Nostalgias são quase sempre tristes.
Faz parte de sua essência.

Chora o velho artista. Sorri.

Chora por ser velho,
Por estar novo e ser velho.

Chora pela comparação desleal. 
Por reviver na memória seus melhores momentos. 
Por saber que ainda vive 
e que, por ser velho, já deveria sentir-se completo.

Já não há mais tempo para acertos e para erros
Há somente tempo de sobra
para re-análises

5 comentários:

  1. Olá Bruno, talvez não saibas mas sou sua fã. Parabéns pela poesia, você é tão jovem para entender de sentimentos velhos e o descreve com tanta propriedade e beleza que emociona. Grande abraço da Meg

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    1. Olá Meg. Obrigado mesmo pelas palavras. Grande abraço

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