O mundo que vivo
Lugares que piso
Perigos que viso, que evito, que exito
Que existo... para que oras existo?
O mundo pode ser de escolhas, de persistência silenciosa
Podemos fazer escolhas, pois oportunidades não nos faltam
Não nos falta vida para fazê-las.
Talvez não falte...
Nem a coragem para vivê-la; Nem a preguiça para originar desinteresses
Nem o incômodo que nos chacoalhe o suficiente para agir e
Nem o conforto que nos faça, sem ansiedade, aguardar esse incômodo
Talvez não nos falte nada
A não ser a percepção que a vida é esta!
Esta de agora
que o fez ler este texto ao invés de ir ao mercado
que te manteve na internet ao invés de tirar um cochilo.
Mas sem condenações pelas escolhas feitas e já vividas
Apenas a pequena, simples e ordinária percepção de que as próximas escolhas
poderão mudar-nos profundamente.
Tenho acordado com uma vontade de mudar o mundo
E tenho dormido com uma inquietação maior que a do dia anterior
27.6.13
17.4.13
Artista
Um rapaz doido. Quase normal (se não fossem os últimos dias). Fazia pouco tempo que havia adquirido a loucura. Por isso ainda era quase doido (ou quase normal).
Adequava-se ao meio-fio capengo, andava com equilíbrio ébrio.
Não se importava para o lado que tombaria,
não se importava nem com a continuidade de seus passo sobre o meio-fio.
Mas cairia,
sobre a loucura ou sobre os pés da normalidade.
Andava; Maneja o corpo contra o vento; Mantinha-se vivamente indeciso.
Formulava frases subjuntivas.
Se caísse para a doidice viveria diariamente o não aceitar da vida,
julgaria a normalidade insana
e seria julgado insano
por julgar insano o que todos afirmam ser normal.
Caiu.
A falta de equilibrio não permitiu o adiamento da queda.
Caiu e deitado permaneceu.
Mergulhou para o lado da loucura. Afundou. Aprofundou-se em seus pensamentos. Todos insanos. Saudavelmente insanos.
Voltou pra casa, despejou o pote de açucar na privada e deu descarga para adoçar os encanamentos. Abriu as portas do guarda-roupa e procurou o que não havia. Encontrou.
Foi ao encontro da parede e abraçou-a sem unir as mãos. Sentiu o abraço gelado, retríbuido.
Ferveu água e botou-a no freezer para calcular o tempo até o congelamento.
Sentou-se agitado,
assou o nariz na barra da calça jeans que usava e despiu-se das roupas, da vergonha.
Ligou a TV e transou com um programa de fofocas, gozou na cara da apresentadora e gargalhou.
Sentiu nojo dela, das notícias quase necessárias. Assim como ele, quase necessário.
Jogou a TV no chão e apalaudiu o curto espetáculo das faíscas. Dançou sobre os cacos de vidro e, com um deles, rasgou uma das mãos. Tingiu as paredes do quarto com o desenho de suas palmas.
Plantou bananeira; Chorou desconsolado; Deu cambalhotas no sofá; Regou as plantas da vizinha; Mijou no retrovisor d'um carro importado estacionado em sua rua;
Chamou a atenção.
Voltou, pegou o violão e compôs a música mais bela que ouvira nos últimos cem anos.
Sorriu completo. Estava batizado.
Sentiu-se um artista. Tornou-se um...
3.4.13
Dança do tempo
O tempo passa de maneiras diferentes.
Cada dia demonstra ter um andamento, um poema contido.
Parece haver variados estilos musicais que permeiam o dia.
Da valsa ao punk, oscilamos. Do soul à rockabilly, dançamos.
Pelas diversas nuances de sinfonia, sentimos-nos discretamente influenciados.
Dou sinais que repito o velho ditado: “dançar conforme a música”. Mas a percepção pode ser diferente.
Nem sempre sabemos os passos da próxima dança.
Guio-me instintivamente pelo ritmo;
as pernas frouxas tentam bater os pés conforme o andamento.
Tento não cair, aprender depressa.
Examino os hábeis dançarinos
como se a observação pudesse ensinar-me algo. Todos eles, por cansaço ou falha na destreza,
esfolaram-se por quedas causadas pelas danças anteriores.
Mas parecem-me, agora, animados
por terem conseguido esquecer-se das quedas
que ainda hoje sofro.
Aproveito ambos os tempos e contratempos que o Tempo me obriga.
Aproveito-os porque os aceito. Pois aproveitar pode ser apenas
utilizar-se da situação
por falta de oposição ou de opção.
Aproveitar / dançar conforme a música, nem sempre significa tirar proveito.
As vezes não me incomodo em ser aquele garoto tímido apoiado na parede enquanto rola o baile da escola.
Eis um desejo que gostaria que se realizasse! :
(um desejo insano e improvável)
A pausa do tempo.(No tempo)
Pausa sabática. Tempo estagnado para uma longa meditação.
Uma interrupção que mantivesse minha idade, conservasse minha saúde já gasta
e alterasse apenas minhas certezas e ideologias.
Refletiria sobre o que sou, sobre o que são os outros,
sobre o que somos quando juntos,
sobre mudanças e negligências, abandonos e permanências.
Talvez deixar de contar com algumas esperanças.
Aprender a ser, na medida certa, receptivo com a realidade,
mais verossímil com meus devaneios
e, talvez, não cobrar tanto da vida. Talvez.
Tiraria conclusões e seguiria adiante mais confiante.
Alcançando uma maturidade velha quando a interrupção terminasse.
Não precisaria tornar-me velho para descobrir
o que deveria ter feito enquanto novo,
enquanto hoje.
Mas o tempo não permite tal privilégio.
Ele se estica e arrasta-me puxando pela perna. Não quero ir, mas vou.
Ele é forte, imenso, ininterrupto, intolerante e imaginário.
E eu... Eu fico
e passo
ao passo em que perco a contagem dos meus segundos. Fico e vou.
Cada dia demonstra ter um andamento, um poema contido.
Parece haver variados estilos musicais que permeiam o dia.
Da valsa ao punk, oscilamos. Do soul à rockabilly, dançamos.
Pelas diversas nuances de sinfonia, sentimos-nos discretamente influenciados.
Dou sinais que repito o velho ditado: “dançar conforme a música”. Mas a percepção pode ser diferente.
Nem sempre sabemos os passos da próxima dança.
Guio-me instintivamente pelo ritmo;
as pernas frouxas tentam bater os pés conforme o andamento.
Tento não cair, aprender depressa.
Examino os hábeis dançarinos
como se a observação pudesse ensinar-me algo. Todos eles, por cansaço ou falha na destreza,
esfolaram-se por quedas causadas pelas danças anteriores.
Mas parecem-me, agora, animados
por terem conseguido esquecer-se das quedas
que ainda hoje sofro.
Aproveito ambos os tempos e contratempos que o Tempo me obriga.
Aproveito-os porque os aceito. Pois aproveitar pode ser apenas
utilizar-se da situação
por falta de oposição ou de opção.
Aproveitar / dançar conforme a música, nem sempre significa tirar proveito.
As vezes não me incomodo em ser aquele garoto tímido apoiado na parede enquanto rola o baile da escola.
Eis um desejo que gostaria que se realizasse! :
(um desejo insano e improvável)
A pausa do tempo.(No tempo)
Pausa sabática. Tempo estagnado para uma longa meditação.
Uma interrupção que mantivesse minha idade, conservasse minha saúde já gasta
e alterasse apenas minhas certezas e ideologias.
Refletiria sobre o que sou, sobre o que são os outros,
sobre o que somos quando juntos,
sobre mudanças e negligências, abandonos e permanências.
Talvez deixar de contar com algumas esperanças.
Aprender a ser, na medida certa, receptivo com a realidade,
mais verossímil com meus devaneios
e, talvez, não cobrar tanto da vida. Talvez.
Tiraria conclusões e seguiria adiante mais confiante.
Alcançando uma maturidade velha quando a interrupção terminasse.
Não precisaria tornar-me velho para descobrir
o que deveria ter feito enquanto novo,
enquanto hoje.
Mas o tempo não permite tal privilégio.
Ele se estica e arrasta-me puxando pela perna. Não quero ir, mas vou.
Ele é forte, imenso, ininterrupto, intolerante e imaginário.
E eu... Eu fico
e passo
ao passo em que perco a contagem dos meus segundos. Fico e vou.
28.2.13
Pára Deus
A vontade do adeus! Adeus!
Ao Deus, digo foda-se. Duvido você existir!
Du-vi-do! - risos
Duvido você me anular, extinguir-me,expulsar-me da memória alheia
e fazer com que todos jamais saibam quem eu fui.
Consegue?
Há!
Tem alguém surdo ai??? Ca-cete!
Esse cara não conversa com niguém que não tenha bata-e-ezquizofrenia?
Hei! Tô aqui!
Desafio você a fazer tudo isto !
Tudo isto enquanto Eu vivo!
Fazer com que todos me esqueçam e que eu viva o meu próprio esquecimento – E em vida!
Ah! E não quero que me expurgue
para dar de exemplos aos outros.. Isso é golpe baixo.
Isso não vale... Seja justo ao menos comigo...
Largue de ser covarde e de esperar que eu morra para me punir!
Bundão!
Desafio-teagora! a demonstrar a força que parece ter. Que dizem que tu tens... UUUuuuU Que medinho...
Tem essa porra toda ai mesmo?
E olha!
Eu me entrego ... Veja só...
Eu me entrego como cobaia para que prove sua capacidade de ser mal, humano e vingativo
Vai me dizer que é de levar desaforo para casa??? - risos
Você é tão patético cara...
Tanto quanto Eu!
Provoco-te com indiferença,
E nada me ocorreu enquanto gritava tudo isto
Se conseguires usar-me de exemplo para mim mesmo,
Sagrado para mim tú serás!
E enfim,
O meu fim trará,
Fará-me um seguidor teu. Finalmente de novo!
Criarei meu santuário,
Pregarei meu símbolo na cruz,
E condenarei-me a agradecer-lhe o tempo inteiro
Pelo resto dos meus dias temerosos...
Ao Deus, digo foda-se. Duvido você existir!
Du-vi-do! - risos
Duvido você me anular, extinguir-me,expulsar-me da memória alheia
e fazer com que todos jamais saibam quem eu fui.
Consegue?
Há!
Tem alguém surdo ai??? Ca-cete!
Esse cara não conversa com niguém que não tenha bata-e-ezquizofrenia?
Hei! Tô aqui!
Desafio você a fazer tudo isto !
Tudo isto enquanto Eu vivo!
Fazer com que todos me esqueçam e que eu viva o meu próprio esquecimento – E em vida!
Ah! E não quero que me expurgue
para dar de exemplos aos outros.. Isso é golpe baixo.
Isso não vale... Seja justo ao menos comigo...
Largue de ser covarde e de esperar que eu morra para me punir!
Bundão!
Desafio-teagora! a demonstrar a força que parece ter. Que dizem que tu tens... UUUuuuU Que medinho...
Tem essa porra toda ai mesmo?
E olha!
Eu me entrego ... Veja só...
Eu me entrego como cobaia para que prove sua capacidade de ser mal, humano e vingativo
Vai me dizer que é de levar desaforo para casa??? - risos
Você é tão patético cara...
Tanto quanto Eu!
Provoco-te com indiferença,
E nada me ocorreu enquanto gritava tudo isto
Se conseguires usar-me de exemplo para mim mesmo,
Sagrado para mim tú serás!
E enfim,
O meu fim trará,
Fará-me um seguidor teu. Finalmente de novo!
Criarei meu santuário,
Pregarei meu símbolo na cruz,
E condenarei-me a agradecer-lhe o tempo inteiro
Pelo resto dos meus dias temerosos...
25.2.13
Soltamente
I.
Aqueles dias quentes sem refresco já incomodava.
A roupa colada no corpo,
A cabeça ansiosa para antecipar o destino,
O corpo caminhando abringando-se nas sombras.
Que calor era aquele que implorava por noite?
Qual a temperatura, que uma vez atingida, fazia-o esquecer-se dos conflitos,
anuvia-lhe os planos, confundia-lhe as certezas, deixava-o mole?
Nas ideias, apenas devaneios sobre alívios-corpóreos-imediatos.
Geleiras... estão quão distantes daqui?
Do Sol vinha, sentia vir,
uma energia carregada de vigor que abriam os poros,
uma intensidade que afogava o corpo com a própria água. Banhava-nos de nós mesmos.
Os rios; mares; águas; suores dos corpos;
Voavam as águas ao encontro do envolvente, ardente e atraente astro.
No alto o encontro pluvial. Chocavam-se sem impacto.
Flutuavam discretas e invísiveis.
Seu vapor pintava a tarde com uma única cor:
Cinza-sereno
Profecia óbvia;
Já exausta de calor-lançado, despejou com ira a água absorvida,
devolvendo o que não lhe cabia mais. Chuva.
Chora, ato quase triste pelo desapego.
Levada pelos ventos. Permitiu por acalento desanuviar o céu.
Por detrás, risonhamente, ressurgia o astro.
Naturalmente belo, somos natureza. Também
Contribuindo
e recebendo semelhante parcela.
II.
O dia passa, mudam-se as cores.
Apresenta-se a noite manchando o dia com seu novo azul-claro-escurescendo
Noite clara, negra.
Por ali fica, horas-somada-de-horas que silenciam os corpos.
Com sua aúrea pesada, exige descanso.
Desta vez ele resistiu. Ficou a sós, mudo por respeito;
mudo para contemplá-la.
Atento. Absorto. Distraído.
Do negro ao roxo.
De súpeto: está roxo o céu?
De súbito?
Ressurgia o astro que paulatinamente manchava a noite,
espreguiçando-se a cada raio de sol,
o infindável ciclo degradê das cores.
Como criança espantada, encantada pela claridade,
Ele reparava no brilho intenso que surgia,
no velho astro que se erguia.
De suas retas sinuosas
sentia a intensidade difusora.
Detendo a vista sobre o Sol, descansou o espírito.
Por horas a olhá-lo, sem se desviar.
Alterou a mira dos olhos por incômodo,
por cansaço de testa franzida.
Recebeu a força do clarão redondo.
Percebeu que mesmo sem olhá-lo
Ali estava ele!
Encontrava-o em todos os lugares em que pairava a vista.
Até de olhos fechados, no escuro, enxergava-o.
Percebeu que o grande astro estava nele. Encrustrado em sua visão.
Era nítida a imagem do pequeno semblante, a redonda silhueta azul estava em tudo quanto era lugar.
A contemplação da grande estrela marcou-lhe a retina da memória.
O Sol se alongava pelo céu,
sem cauda, sem rastros de seu movimento.
No topo, observando, amadurecendo, aquecendo. Irritava.
A roupa colava no corpo,
A cabeça ansiava para antecipar o destino.
Voltou para casa abringando-se nas sombras.
Começou um outro dia belo e sem refresco. Começou incomodado.
Aqueles dias quentes sem refresco já incomodava.
A roupa colada no corpo,
A cabeça ansiosa para antecipar o destino,
O corpo caminhando abringando-se nas sombras.
Que calor era aquele que implorava por noite?
Qual a temperatura, que uma vez atingida, fazia-o esquecer-se dos conflitos,
anuvia-lhe os planos, confundia-lhe as certezas, deixava-o mole?
Nas ideias, apenas devaneios sobre alívios-corpóreos-imediatos.
Geleiras... estão quão distantes daqui?
Do Sol vinha, sentia vir,
uma energia carregada de vigor que abriam os poros,
uma intensidade que afogava o corpo com a própria água. Banhava-nos de nós mesmos.
Os rios; mares; águas; suores dos corpos;
Voavam as águas ao encontro do envolvente, ardente e atraente astro.
No alto o encontro pluvial. Chocavam-se sem impacto.
Flutuavam discretas e invísiveis.
Seu vapor pintava a tarde com uma única cor:
Cinza-sereno
Profecia óbvia;
Já exausta de calor-lançado, despejou com ira a água absorvida,
devolvendo o que não lhe cabia mais. Chuva.
Chora, ato quase triste pelo desapego.
Levada pelos ventos. Permitiu por acalento desanuviar o céu.
Por detrás, risonhamente, ressurgia o astro.
Naturalmente belo, somos natureza. Também
Contribuindo
e recebendo semelhante parcela.
II.
O dia passa, mudam-se as cores.
Apresenta-se a noite manchando o dia com seu novo azul-claro-escurescendo
Noite clara, negra.
Por ali fica, horas-somada-de-horas que silenciam os corpos.
Com sua aúrea pesada, exige descanso.
Desta vez ele resistiu. Ficou a sós, mudo por respeito;
mudo para contemplá-la.
Atento. Absorto. Distraído.
Do negro ao roxo.
De súpeto: está roxo o céu?
De súbito?
Ressurgia o astro que paulatinamente manchava a noite,
espreguiçando-se a cada raio de sol,
o infindável ciclo degradê das cores.
Como criança espantada, encantada pela claridade,
Ele reparava no brilho intenso que surgia,
no velho astro que se erguia.
De suas retas sinuosas
sentia a intensidade difusora.
Detendo a vista sobre o Sol, descansou o espírito.
Por horas a olhá-lo, sem se desviar.
Alterou a mira dos olhos por incômodo,
por cansaço de testa franzida.
Recebeu a força do clarão redondo.
Percebeu que mesmo sem olhá-lo
Ali estava ele!
Encontrava-o em todos os lugares em que pairava a vista.
Até de olhos fechados, no escuro, enxergava-o.
Percebeu que o grande astro estava nele. Encrustrado em sua visão.
Era nítida a imagem do pequeno semblante, a redonda silhueta azul estava em tudo quanto era lugar.
A contemplação da grande estrela marcou-lhe a retina da memória.
O Sol se alongava pelo céu,
sem cauda, sem rastros de seu movimento.
No topo, observando, amadurecendo, aquecendo. Irritava.
A roupa colava no corpo,
A cabeça ansiava para antecipar o destino.
Voltou para casa abringando-se nas sombras.
Começou um outro dia belo e sem refresco. Começou incomodado.
18.2.13
Solo
Sementes caem
permeiam nosso solo cerebral
são engolidas pelo inconsciente
e absorvidas pelo inconsequente
Escolhemos as sementes que vão germinar?
Podemos selecionar? Ou de tudo nasce?
Do bom ao ruim,
Da peçonha ao inofensivo,
Do humano à arvore frutífera
?
Reféns de acontecimentos randômicos
Regemos as nossas vontades
Regamos nossa terra com uma otimista expectativa pré-existente.
Coragem cega que atrai.
Atraídos feito um caule instintivo procurando suco em seus sulcos.
Atraídos,
procuramos alma em nossas vidas.
Somos maestros de poucas notas.
Somamos o conjunto
para compormos a sinfonia.
Estamos prontos para germinar qualquer semente
Somos aptos para originar qualquer semente
Somos úmidos, amplos
terrenos férteis.
Pele morena feito barro,
olhos negros como a volúpia da noite.
A comunicação muda dos cheiros.
Dispersadas pelo ar
Sentidas pelo mundo.
Nossas histórias acontecendo em simultâneo.
permeiam nosso solo cerebral
são engolidas pelo inconsciente
e absorvidas pelo inconsequente
Escolhemos as sementes que vão germinar?
Podemos selecionar? Ou de tudo nasce?
Do bom ao ruim,
Da peçonha ao inofensivo,
Do humano à arvore frutífera
?
Reféns de acontecimentos randômicos
Regemos as nossas vontades
Regamos nossa terra com uma otimista expectativa pré-existente.
Coragem cega que atrai.
Atraídos feito um caule instintivo procurando suco em seus sulcos.
Atraídos,
procuramos alma em nossas vidas.
Somos maestros de poucas notas.
Somamos o conjunto
para compormos a sinfonia.
Estamos prontos para germinar qualquer semente
Somos aptos para originar qualquer semente
Somos úmidos, amplos
terrenos férteis.
Pele morena feito barro,
olhos negros como a volúpia da noite.
A comunicação muda dos cheiros.
Dispersadas pelo ar
Sentidas pelo mundo.
Nossas histórias acontecendo em simultâneo.
4.2.13
Crônica - Cansou de Descanso
Cantarolando uma velha canção regional,
Balbuciando qualquer sílaba que se encaixasse naquele velho ritmo country
Desceu lentamente os degraus da parte de fora
Descia assim, sem pressa de destino
Fechou o portão sem ansiedade
Ao se distanciar um pouco da casa, parou assustado consigo mesmo
Voltou com passos rápidos para casa. Estava eufórico, feito uma criança de bicicleta...
Passou pelo jardim como um foguete, deu a volta na casa
Ressurgiu a sua frente uma pilha de lembranças
Sentou-se na cadeira.
O que o levara até o porão? Não se lembrava mais...
21.1.13
Ensaio
Ao som de Djavan a tarde acontecia
O decorrer do tempo fora tão delicioso
Mas levantou-se
No escrito a via e cegava-se com anuência.
No escrito havia apenas o prolongamento da incerteza
E nem findar este escrito
E escurecia por maldade.
O decorrer do tempo fora tão delicioso
Que findar momentos como aqueles
Era para ele o maior pecado que se infligia à vida
Mas levantou-se
Como num ato heróico desvinculou-se de tudo que o prendia à cama
Libertou-se da coberta, da preguiça,
ignorou o frio que congelava seus cotovelos e joelhos e
retirou com enorme peso a mão leve que lhe envolvia o peito.
Com passos mudos saiu do quarto.
Já no banho, en-mornou-se.
Ainda no banho,
apoiando a cabeça contra a parede,
passou longo tempo com a água escorrendo da nuca às costas...
Quieto. Imóvel.
Meditando escondia-se do mundo.
Ninguém o perceberia daquela forma, ninguém o interpretaria.
Era preciso descobrir o que realmente se passava consigo,
como um todo, desvendar-se cabalmente.
O que era capaz de fazer, de não fazer, de pedir, de aceitar, de omitir.
Era preciso perceber algo.
Voltou e trocou-se no escuro.
Não queria despertar aquela bela criatura que dormia com jeito inofensivo,
com leveza de criança, com a respiração tranquila
Queria protegê-la de todo mal!
Poderia protegê-la dele mesmo?
Não seria necessário... já o contrário, não tinha certeza.
Permaneceu sentado
com os olhos revezando-se entre o rosto que sonhava belo,
entre escorrer a vista sobre o corpo
pairando sobre os pés descobertos.
Virou-se de costas
E reconheceu um velho caderno que deixara aberto na noite passada.
Em sua frente páginas em branco.
Libertou-se da coberta, da preguiça,
ignorou o frio que congelava seus cotovelos e joelhos e
retirou com enorme peso a mão leve que lhe envolvia o peito.
Com passos mudos saiu do quarto.
Já no banho, en-mornou-se.
Ainda no banho,
apoiando a cabeça contra a parede,
passou longo tempo com a água escorrendo da nuca às costas...
Quieto. Imóvel.
Meditando escondia-se do mundo.
Ninguém o perceberia daquela forma, ninguém o interpretaria.
Era preciso descobrir o que realmente se passava consigo,
como um todo, desvendar-se cabalmente.
O que era capaz de fazer, de não fazer, de pedir, de aceitar, de omitir.
Era preciso perceber algo.
Voltou e trocou-se no escuro.
Não queria despertar aquela bela criatura que dormia com jeito inofensivo,
com leveza de criança, com a respiração tranquila
Queria protegê-la de todo mal!
Poderia protegê-la dele mesmo?
Não seria necessário... já o contrário, não tinha certeza.
Permaneceu sentado
com os olhos revezando-se entre o rosto que sonhava belo,
entre escorrer a vista sobre o corpo
pairando sobre os pés descobertos.
Virou-se de costas
E reconheceu um velho caderno que deixara aberto na noite passada.
Em sua frente páginas em branco.
Um universo inteiro para ser criado, imaginado, escrito.
Mas não tinha mais espaço para novas idéias
Sem perceber a obviedade do ato que iniciava
Ousou revelar-se por intermédio das palavras
Mas não tinha mais espaço para novas idéias
Sem perceber a obviedade do ato que iniciava
Ousou revelar-se por intermédio das palavras
Mas estava feliz
Queria mesmo se descobrir?
Saber que além de todo o bem que lhe impulsionava a alma, que a saciava, que a arrebatava,
havia também um desejo que a corroia, que por tanto fogo a fazia arder?
Saber que além de todo o bem que lhe impulsionava a alma, que a saciava, que a arrebatava,
havia também um desejo que a corroia, que por tanto fogo a fazia arder?
Tinha felicidade exacerbada batendo no peito
E sentia a distância da realidade a cada batimento
Questionar-se traria outra obviedade:
Um eterno sentimento belo, mas finito
Um finito que se expande, que avassala
que derruba postos, idéias, mitos, regras, costumes
que atropela pensamentos, impede que se revise a fala, que abdica da razão
Finito intenso,
imenso
Um finito que se expande, que avassala
que derruba postos, idéias, mitos, regras, costumes
que atropela pensamentos, impede que se revise a fala, que abdica da razão
Finito intenso,
imenso
Mas cruel por ser finito
Um escrito abrupto, oculto e imerso em seu ser
escorria pelas mãos
escorria pelas mãos
Escrito ausente de conclusões que não supririam a necessidade do imediato
No escrito a via e cegava-se com anuência.
No escrito havia apenas o prolongamento da incerteza
Da beleza mística do incerto, a atração pelo desconhecido
Interrompeu as palavras aqui...
Interrompeu as palavras aqui...
E chegara até aqui sem o sentimento sofrido que examinou
Sentindo-se vivo, feliz, agindo por reflexo
Não queria findar isso
Não queria findar-se
E nem findar este escrito
Fim!
10.1.13
Cadência e pausa fazem música
Acaba
A bala lançada pelo perigo que quebrou o vitrô
Acada
Achada a alçada contribuinte quie´squeci de supor
Pur con-se-quê-ncia pe-enso
qui de-veriá prever
um bucado de instantes
duma terra, duma vida
tão gigantes
que um segundo
Ínfimo
alonga o passado crescendo-tanto quisse perpetuou
Instinto?
´contece que eu nunca sofri com luta diquem nunc´apanhou
Pur medo da falência
pudesse eu prever
entretanto os instantes
não se podem
numa vida
tão gigante
querer fazer caber
na memória
exatamente como agora
E perceber
o quanto é tolo
e no entanto
um tanto bobo
em quase canto
em desencanto
e meu disfarçe que desempâno
faz-me tão humano quanto banal
E no enredo madrigal
Sem um encontro pontual
Madruguei a dentro
E pus-me rua à´fora
Adentro ao texto atento
Tento o descanso tardio
Para me esgotar mais cedo
Mas tarde...
Talvez em tua dispensa
meu lado ainda vença
Por tudo não dispensa
Com quase real presença
Contudo não dispensa
Com tudo se ofereça!
Acaba
a auria elevada que com o tempo me desacostumou
Inflama
E quando dá conta de-sua ferida já-lhe infeccionou
E pensa
e tenta...
Mais tenta do que pensa...
E a desavença,
por desmérito na própria crença,
sentiu-se desapercebida e findou
O que era 2
deixou de ser matemático
E os que eram dois
Deixaram-se ser poemas
A bala lançada pelo perigo que quebrou o vitrô
Acada
Achada a alçada contribuinte quie´squeci de supor
Pur con-se-quê-ncia pe-enso
qui de-veriá prever
um bucado de instantes
duma terra, duma vida
tão gigantes
que um segundo
Ínfimo
alonga o passado crescendo-tanto quisse perpetuou
Instinto?
´contece que eu nunca sofri com luta diquem nunc´apanhou
Pur medo da falência
pudesse eu prever
entretanto os instantes
não se podem
numa vida
tão gigante
querer fazer caber
na memória
exatamente como agora
E perceber
o quanto é tolo
e no entanto
um tanto bobo
em quase canto
em desencanto
e meu disfarçe que desempâno
faz-me tão humano quanto banal
E no enredo madrigal
Sem um encontro pontual
Madruguei a dentro
E pus-me rua à´fora
Adentro ao texto atento
Tento o descanso tardio
Para me esgotar mais cedo
Mas tarde...
Talvez em tua dispensa
meu lado ainda vença
Por tudo não dispensa
Com quase real presença
Contudo não dispensa
Com tudo se ofereça!
Acaba
a auria elevada que com o tempo me desacostumou
Inflama
E quando dá conta de-sua ferida já-lhe infeccionou
E pensa
e tenta...
Mais tenta do que pensa...
E a desavença,
por desmérito na própria crença,
sentiu-se desapercebida e findou
O que era 2
deixou de ser matemático
E os que eram dois
Deixaram-se ser poemas
7.1.13
Encontro
Nesta
época de poucas certezas, investigo-me.
=
Não
encontro mais encaixe
Não
possuo lugar certo no mundo
Meu lugar
sou Eu
Sinto-me
enraizado
E nem as
viagens me tiram deste estado fixo
Conhecer
lugares é expandir-se
Mas
retornar
É como voltar
ao estado de origem, ao berço
É como
andar em círculos
Nadar
contra a forte correnteza da sociedade
Fazer
escolhas por impulso
Mesmo
que surja um posterior e inevitável arrependimento
Ao menos
uma escolha foi feita ao invés de aceita
=
Preciso
respeitar outras crenças
Esquecer
doutrinas, mitos, amor-platônico,
Dogmas
cristãos, Deus, deuses, riquezas;
Preciso
respeitar o coração que insiste em bater
E bate
para quê?
Não
sei... Pretendo descobrir
=
Qual a
dose de loucura que devo ingerir?
Injeto
tudo? Só algumas gotas e aguardo o resultado?
Por mim
tanto faz
Para os inquisidores
também não importa.
Irão me
tachar por qualquer dosagem
Tachariam-me
apenas por eu desejar a doidice de não viver como um normal-reprimido
=
Nesta
época de poucas certezas, instigo-me.
Quero encontrar
nova espécie de mim
Reencontrar-me
apenas nas lembranças-quase-esquecidas
Reiventar-me
num presente-sem-passado
Num
outro lugar
26.12.12
18.12.12
Anuir com o ano. Com o ano ir...
Quero, só por curiosidade, provar os limites do
corpo
Desgastar toda esta carcaça em discreta
descomposição
Quero esgotar todas as minhas idéias
Descartar todos os planos
Quero exaurir todo o tipo de conversa
desnecessária
Impedir o excesso de engajamento
Quero sussurrar todo tipo de besteira ao pé do
ouvido
Desabotoar toda a sua timidez
Quero grudar na sua boca e chupar todo seu mel
Desapegar desta incerta possibilidade de sofrer
Quero dividir meu corpo
Despejar minhas frações em caldeirões de tribos
canibais
Quero nadar no mar em noite de tempestade
Desanuviar meus olhos cinzas
Quero vida e quero agora
Provar d’um agora duradouro
Quero logradouros dentro de mim
Quero guardar tudo que fui esprimido num canto
Quero expandir meus tijolos, refazer a estrutura
Sou consumista,
Quero consumir vida
A minha
Gastá-la,
arrastá-la feito sandália de andarilho
Quero antecipar a morte ao intensificar os segundos,
Imortalizar cada instante vivido,
Quero envelhecer meu próprio passado
Cometer mergulho circense de grande altura, sem rede de
proteção
Quero saber pouco e sentir-me infinito.
Sentir a serenidade dum homem isolado e a euforia de um
hiperativo.
Quero ser palhaço para a criança,
Ser desorientado para o idoso.
Ser um parâmetro a não ser seguido.
10.12.12
Na Beira dum Lago
Quero a
liberdade dos pássaros
Eu aqui sentado, à beira dum lago.
Nós desejamos liberdade parecida, mas a tiramos.
Quero que minha gaiola nunca se feche,
Quero
que o mundo a sinta.
Os
pássaros sabem voar, e o fazem com naturalidade
Repousam
sobre as correntes quentes de ar, deixando-se levar
Experimentam
observar a vida sobre os galhos das árvores
E ali
ficam por um tempo que não se conta
Experimentam
trocar de árvores
e com
extrema sensibilidade percebem a
diferença entre cada uma delas
Essa
diferença é a beleza sentida por eles
A diferença entre tudo
É o que torna o Tudo belo. Misticamente belo.
A diferença entre tudo
É o que torna o Tudo belo. Misticamente belo.
Pássaros são sensíveis
Mas não possuem o domínio dos sentidos.
Pássaros são facilmente apaixonados.
Uma paixão inteligível. Forte.
Sentida em quantidade e em simultâneo.
São apaixonados pelas diferentes sombras
Amam os diferentes feixes de luz entrecortados pelas folhas,
Mas não possuem o domínio dos sentidos.
Pássaros são facilmente apaixonados.
Uma paixão inteligível. Forte.
Sentida em quantidade e em simultâneo.
São apaixonados pelas diferentes sombras
Amam os diferentes feixes de luz entrecortados pelas folhas,
Conseguem perceber os ventos que mudam de acordo com a altura
Reconhecem os variados tipos de madeira em
que se agarram,
se são
lisas, robustas ou descascadas pelo tempo.
O pássaro ama a vida, sem saber que ama.
Cantam para si e para ninguém.
Cantam para si e para ninguém.
Eu aqui sentado, à beira dum lago.
Com
tanto mundo por ai.
Eu aqui
sentado, a beira dum lago.
A
mistura dos cantos, o silêncio das águas
Ouço minha
respiração profunda e calma
Os pássaros
são exuberantes,
Voam à minha frente
Com seu canto, parecem dizer:
Com seu canto, parecem dizer:
“O mundo
não é só este que te toca os pés,
O mundo
é imenso e deve ser conhecido”
Eu aqui
sentado,
Refletindo
sobre as formas de viver
Sobre as
formas de se privar da vida
E por
estar aqui sentado, apenas pensando
Não sei
se vivo, ou se apenas penso
Ou se
penso que vivo
Mas por que me deu vontade de refletir sobre os pássaros?
Ora, sei lá. Pensamentos chegam sem aviso.
Pássaros
são livres.
Estou observando-os com estranha alegria
E neste tempo todo
Não pude identificar o limite que os prendem
Estou observando-os com estranha alegria
E neste tempo todo
Não pude identificar o limite que os prendem
Nós desejamos liberdade parecida, mas a tiramos.
Tiranos tiramos.
Quando
encontramos algo belo, como os pássaros
Desejamos,
com imenso egoísmo, aprisionar esta beleza
Vê-la
todos os dias, senti-la todos os dias
Amamos possessivamente,
Um desejo soberano, injusto e cruel
Um desejo soberano, injusto e cruel
Queremos
voar, mas também prender
Queremos
voar, mas também ser preso
A
beleza, ainda que engaiolada, permanecerá bela.
Mas não do
ponto de vista de dentro da gaiola,
Onde se
vê o mundo de fora idêntico ao que se vivia,
Onde se ouvem
os pássaros com cantos eufóricos e livres
Onde se
percebe as árvores, galhos e sombras.
Onde se
enxerga a vida e encerra-se a própria.
A beleza
está lá, intacta, presa.
Pássaros
são condenados por terem nascidos belos.
Esta é a
sua culpa. Nasceram belos e livres.
Privar
algo belo apenas por querer garantir que esta beleza seja sua
É privar
o mundo de conhecer algo
que reconhecemos como belo
que reconhecemos como belo
É privar
esta beleza
de conhecer outras belezas
de conhecer outras belezas
Queremos
ser únicos... E somos. Esta é a nossa maldição (ou salvação)
Pois queremos
ser completos e completar
Ser
único é ser limitado, pois não possuímos todas as qualidades procuradas
Existem
lacunas
que não
precisam de um preenchimento pleno
Mas uma
vida completa e recheada de todas as satisfações é algo tentador
Como
exigir que um pássaro, belo, vivo, com um canto alegre
Reproduza
tal canto e vivacidade num espaço limitado?
E nem
que esse espaço aumente. O nosso limite deve ser o mundo.
Apesar
da natural vontade (humana) tirana
De
querer reter uma beleza
E querer
ser retido;
Exercito
uma contra-vontade.
Impor-se
como único, é impor limites.
Limites
são gaiolas que consomem vida
Exercito,
mas não posso evitar-me.
Sou
daqueles que possuem gaiola e gasto tempo ornamentando-a.
Mas não
faço dela moradia forçada
Quero
que minha gaiola não limite, deixo-a sempre aberta
Para que
pássaros vejam o mundo de fora e não se sintam fora dele
Quero que minha gaiola nunca se feche,
E mesmo
que as vezes eu finja que perdi a chave,
Deixo-a
escancarada mais cedo ou mais tarde.
A beleza
dos pássaros é a liberdade
Quero
vê-los voando e pousando sempre
Sou
contra a adição de gaiolas.
Sou a
contradição.
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