22.1.12

Chuva (de verão)

Lentamente. Os sorrisos resistiam.
A chuva se pronunciava;
Exalava cheiro de asfalto molhado.
A chuva rala perfumava.

Seu som de queda; Constante
Era música para os surdos de ruído

Tocavam o chão
Tocavam como vassouras jazzísticas

Umedeciam meus melhores pensamentos
E arrastava-os feito uma enxurrada

Os pensamentos mais antigos
Que, por privilégios por tempo de serviço,
Permaneceram fixos e inabaláveis,
Haviam se transformado em amores, religião ou ideologias.

Serei eu o que sempre sobra após as enxurradas?

A chuva é simples.
Não comporta tamanha complexidade e estudo.
Dicotômica e indiferente.
Divide apenas por secos ou molhados.

Iguala e faz-me desimportante:
Minhas dores não são as maiores do mundo.
Embora somente eu as valorize desta maneira.

O que se aloja em minhas ideias torna-se meu 
E de imensurável importância para mim.
Alocam-se em meu organismo:
Onde chuvas não alcançam
E enxurradas não arrastam.

5 comentários:

  1. Repetiram, repartiram e resistirão até o próximo verão, até a próxima chuva...

    ResponderExcluir
  2. depois de uma boa chuva, um bom banho, tudo parece se renovar, pena que essa sensação dura pouco

    ResponderExcluir

O que vier de sua cabeça será bem-vindo....